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WEBmaconhaA acusação do ministro da Educação, Abraham Weintraub, de que as universidades brasileiras cultivam “extensivas plantações” de maconha em seus campi foi severamente desmentida por entidades científicas e politicas de todo o país. Na sexta-feira, 22, o ministro chegou a publicar em seu twitter o vídeo com reportagem de 2017 sobre a apreensão de uma plantação de cannabis, supostamente em terreno da Universidade de Brasília. Em menos de 48 horas, a reitoria da UnB mostrou que o ministro estava espalhando fake news.

Em 2017, a UnB abriu sindicância para apurar a apreensão. O resultado da investigação é surpreendente: eram 16 vasos com pés de maconha e o terreno está em área de Marinha e não na UnB. De acordo com laudo, o local da apreensão está a mais de cem metros do lote da universidade, numa faixa de 30 metros em torno de um lago, controlada pela Marinha.
Em nota divulgada no domingo, 24, a reitoria da UnB esclareceu o caso e condenou severamente a calúnia do ministro. “A UnB repudia veementemente a associação equivocada da imagem da Universidade a práticas ilícitas. O fato é ainda mais grave quando ocorre de maneira recorrente e por parte de um gestor público cujo papel é o de promover a educação, em seus diversos níveis”, critica a nota.
A SBPC, a Andifes e o Andes repudiaram as declarações do ministro. O Andes interpelou judicialmente Weintraub. A Associação de Docentes da Federal de Goiás - ADUFG - também entrou na Justiça contra o ministro da Educação.

WEBjane tutikian ufrgs

NOTA DA UnB

A Administração da Universidade de Brasília (UnB) tomou conhecimento de um post divulgado no Twitter pelo ministro da Educação com referência a uma operação policial ocorrida em área supostamente da UnB. A esse respeito, esclarecemos que:

1. A referida operação foi realizada em abril de 2017, em uma área não localizada na UnB. Trata-se de área de Cerrado próxima ao campus Darcy Ribeiro. Foram apreendidos vasos com maconha no local. Segundo as primeiras impressões da polícia, as plantas eram mantidas por um grupo, sendo dois estudantes da Universidade e uma terceira pessoa não pertencente à comunidade acadêmica. Na ocasião, as forças de segurança da Universidade deram todo o apoio à polícia.

2. Imediatamente, a Administração determinou a abertura de uma sindicância interna, para a apuração de responsabilidades. No processo, foi confirmado, por meio de um parecer técnico, que o local da apreensão não pertence à UnB.

3. Após a apuração, não houve, na Justiça, confirmação de autoria de crime pelos dois estudantes. Dessa forma, eles não foram condenados. A comissão de sindicância interna recomendou o arquivamento do processo.

A Administração repudia veementemente a associação equivocada da imagem da Universidade a práticas ilícitas. O fato é ainda mais grave quando ocorre de maneira recorrente e por parte de um gestor público cujo papel é o de promover a educação, em seus diversos níveis.

A UnB é uma das principais instituições de ensino superior da América Latina e a oitava melhor do Brasil, segundo o ranking Times Higher Education (THE), com crescente excelência acadêmica, nas mais diversas áreas. As manifestações do ministro demonstram profundo desconhecimento e desrespeito acerca do papel constitucional de nossa instituição. Assim como outras universidades públicas federais, a Universidade de Brasília é patrimônio de todo o povo brasileiro.

É importante esclarecer que a UnB atua dentro da legalidade e vem aprimorando suas estratégias e ações de segurança, com medidas como a colocação de câmeras e de cadeiras elevadas nos estacionamentos. Mesmo com seu maior campus (Darcy Ribeiro) totalmente aberto e integrado à cidade, as medidas já promoveram a redução de 86% nas ocorrências no local, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do DF. Além disso, a questão das drogas afeta toda a sociedade e é, portanto, um desafio para o poder público de maneira geral.

A Universidade reitera o compromisso com sua missão institucional, educadora, para a melhoria das condições de vida da população e o desenvolvimento socioeconômico no DF e do país.

Márcia Abrahão
Reitora
Enrique Huelva
Vice-reitor

NOTA DO ANDES

O Sindicato Nacional dos Docentes de Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN) interpelou, na Justiça Federal, o ministro da Educação, Abraham Weintraub. A entidade cobra que o responsável pelo MEC apresente explicações e informações sobre as declarações que proferiu contra as Universidades Federais, em entrevista concedida no último dia 22, ao Jornal da Cidade.
“A fim de instruir possível ação de reparação dos danos morais coletivamente suportados, propõe-se a presente medida judicial para que o Requerido preste os esclarecimentos e informações acerca de suas declarações e provas que se utilizou para ampará-las, bem como das providências por ele adotadas em relação a esses fatos”, alega a entidade na Ação.
De acordo com a argumentação do ANDES-SN, o ministro não apresenta qualquer prova sobre a suas alegações muito menos as providências cabíveis adotadas pelo MEC. Para o Sindicato, a fala do ministro tem a intenção de desqualificar as universidades federais e colocar a opinião pública contra as instituições.
Além de desvalorizar docentes, servidores técnicos, e estudantes, as acusações de Weintraub representam “um ataque infundado à premissa constitucional de oferta de ensino gratuito, público e de qualidade, em relação às quais deve guardar o mais restrito respeito. Com essa conduta alarmante o Requerido tem a volição de manipular a opinião pública contra as Universidades Públicas, causando prejuízos à honra e à moral coletiva de toda comunidade universitária”, afirma o Sindicato Nacional.

WESBPC

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