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WEBbGLAUCOMADepois da catarata, o glaucoma é a doença que mais cega no mundo. Ela é também a número um entre as causadoras de cegueira irreversível. Segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde, dois milhões de pessoas serão afetadas por ela, no Brasil, em 2020. Ainda sem cura, a enfermidade degenerativa pode encontrar alternativas terapêuticas graças a resultados recentes obtidos por um grupo de pesquisadores da UFRJ. “Hoje o que temos são medicamentos que retardam o progresso da doença. O que está colocado agora é a possibilidade de futuramente ser viável restituir a visão”, disse a pesquisadora do Laboratório de Neurogênese, Mariana Silveira.
A pesquisa liderada pela neurocientista indica que o fator de transcrição da proteína Klf4 pode ser utilizado para a regeneração de células ganglionares. Ela explica que as projeções das células ganglionares compõem o nervo óptico e são responsáveis pela transmissão das informações da retina para o cérebro. E, que, em casos de glaucoma, geralmente, há um aumento da pressão intraocular que lesiona o nervo óptico e mata essas células da retina, levando a uma gradual perda da visão periférica e, por vezes, até a cegueira. Como as células são geradas ainda no embrião e em mamíferos não há reposição, a perda de visão é definitiva. “A informação não sai do olho”, resume outro membro da equipe de pesquisa, professor Rafael Linden. “As pessoas não se dão conta muitas vezes, mas a retina faz parte do sistema nervoso central e, para que enxerguemos, a informação tem que ser levada da retina para o cérebro pelo nervo óptico”.
A possibilidade de regeneração das células amplia o leque de possibilidades terapêuticas. A descoberta pegou de surpresa os pesquisadores, inicialmente voltados pela investigação básica sobre o impacto do Klf4 para a retina. “O resultado saltou aos nossos olhos”, conta Mariana. “Quando Maurício viu no microscópio me chamou e vibramos: ‘estamos gerando células ganglionares’”. A impressão inicial foi confirmada pelos testes que se seguiram. O pesquisador Mauricio Martins é o primeiro autor do artigo publicado pela revista científica Development.
A equipe teve a participação ainda do professor da UFRJ Rodrigo Martins, da pesquisadora colaboradora Caren Norden (Instituto Max Planck de Biologia Celular e Genética Molecular, Alemanha) e seis bolsistas. Ao todo, o trabalho já completa seis anos. E já contou com apoio da FAPERJ, CAPES e CNPq nas diferentes etapas. “A pesquisa básica demanda muito tempo e investimento”, avalia o neurocientista Rafael Linden. “Quando começamos tínhamos um laboratório totalmente dedicado às pesquisas de base. Mas fomos, aos poucos, nos aproximando da terapia gênica. Ela é uma tendência hoje”.
Depois do espaço conquistado na publicação internacional, os pesquisadores se preocupam com a continuidade do trabalho frente à desidratação do financiamento científico. “Já trabalhamos com seis estagiários de alta qualificação, hoje só temos um desta equipe original”, lamenta Mariana. “A maioria saiu do país, desestimulados pela situação atual. Esperamos conseguir manter os novos componentes do grupo motivados para recompor a equipe”.

Sinais de alerta
O diagnóstico do glaucoma é feito por meio da medição da pressão intraocular e do exame de fundo de olho - onde está a retina. O check-up no oftalmologista é recomendado. Um dos desafios da doença está no seu diagnóstico tardio. “Como a perda da visão começa pela periferia, as pessoas demoram a se dar conta do problema. Isso agrava o quadro, em um contexto, onde ainda não há cura, mas apenas redução dos danos”, explica Mariana Silveira. “Um dos sinais mais comuns do problema é quando a pessoa começa a esbarrar nas coisas ou a tropeçar”, acrescenta Linden.

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