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WEBcongressoDiretora da Adufrj, a professora Christine Ruta e a deputada Maria do Rosário (PT-RS)O ministro da Educação, Abraham Weintraub esteve na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados no dia 11. Ele foi convocado para dar explicações sobre suas declarações – feitas em novembro – de que as universidades têm “extensivas plantações de maconha”. Durante sua apresentação, ele reforçou a fake news e causou indignação de alguns parlamentares. Mesmo sem credenciamento (apesar de o tema da audiência dizer respeito diretamente às universidades), a AdUFRJ conseguiu acessar a audiência e foi representada por sua vice-presidente Christine Ruta. Ela levou exemplares do Jornal da AdUFRJ. Vários parlamentares de oposição, como David Miranda (PSOL-RJ), Maria do Rosário (PT-RS), Ivan Valente (PSOL-SP) e Alessandro Molon (Rede-RJ) posaram com o jornal e protestaram contra o ministro mostrando o informativo.
A reunião durou mais de sete horas e teve momentos de tensão. A deputada Maria do Rosário fez severas criticas à atuação de Weintraub. “Considero que o Ministério da Educação está acéfalo. Não há condução, não há política pública, o plano de educação não está sendo cumprido, as diretrizes e metas aprovadas por esta Câmara estão sendo desconsideradas por quem ocupa a titularidade da pasta”, afirmou.
“São tantos absurdos e tanta incompetência do ministro da Educação que não cabe na legenda. Audiência pública com o ‘antiministro’ agora na Câmara!”, resumiu o deputado Alessandro Molon em suas redes sociais.
Deputado Idilvan Alencar (PDT-CE) questionou a afirmação do ministro, de que ele estaria fazendo uma revolução na educação. “Acho que o senhor tem que usar de bom senso, de humildade, de autocrítica. Nem mesmo uma pessoa altamente drogada vai imaginar que o senhor está fazendo uma revolução na educação”. Ele criticou a postura ideológica de Weintraub e fez uma sugestão: “O senhor não tem condição técnica de continuar nesta função. Eu acho que o senhor devia aproveitar este Natal e pegar o beco, literalmente”, disse. “Pegar o beco é ir embora, no Ceará”, finalizou.
“Os eventos a que o ministro se refere já foram apurados”, afirmou a deputada Margarida Salomão (PT-MG), autora de um dos requerimentos de convocação do ministro. “Em Minas, o delegado afirmou que os estudantes não eram da UFMG. Na UnB, ficou claro que os pés de maconha não estavam na área da universidade”, disse. “É preciso apresentar provas além das versões sensacionalistas”, concluiu.
Para a professora Christine Ruta, o ministro perdeu uma ótima oportunidade de debater a educação com robustez no parlamento. “Sua apresentação foi baseada em vídeos de internet. Seu discurso é generalista, sem dados. O tempo todo fugiu das questões e desviou dos assuntos”, disse. A principal lição do encontro, para a diretora da AdUFRJ, é a necessidade de maior articulação do campo progressista. “Precisamos ampliar nosso diálogo e buscar aliados comprometidos com a democracia e com a educação em todos os campos”.
Após a audiência, a dirigente se reuniu com a deputada Margarida. No encontro, a parlamentar reafirmou a necessidade de articulação da comunidade acadêmica com o Legislativo. “É importantíssimo que a universidade esteja próxima do parlamento e também que a extensão universitária cumpra seu papel com a sociedade”, defendeu a deputada.

WEBmontagemPROTESTO deputados de diferentes partidos de oposição posam com o Jornal

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 MINISTRO DA DESINFORMAÇÃO

Criticado à época por não apresentar provas, Weintraub publicou em uma rede social reportagens sobre o consumo de maconha e drogas sintéticas na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e na Universidade de Brasília (UnB). As reportagens, entretanto, não indicam participação ou anuência dos gestores das universidades. Nenhum processo foi aberto contra os reitores das instituições.
“Eu peguei essas informações no Google ontem à noite. Printei do meu computador, na ordem que apareceram”, justificou o ministro.
Na Câmara, Weintraub defendeu que há uma “epidemia de drogas” no Brasil e disse que “as estatísticas” mostram que o consumo de drogas nas universidades é o dobro do uso geral no país. A partir deste “argumento”, o titular do MEC defendeu a interferência da Polícia Militar nos campi das universidades.
“Eu sou a favor da autonomia universitária para pesquisa, para ensino. Pode ensinar o que quiser, falar de Karl Marx, não tem problema. Agora, a PM tem que entrar nos campi”, afirmou Weintraub.

RELATÓRIO SOBRE O MEC
Não foi só na reunião que a gestão Weintraub foi fortemente criticada. A atuação do ministro foi alvo de relatório produzido pela Comissão Externa de Acompanhamento do MEC, concluído na semana passada. O documento, destrinchado na última edição do Jornal da AdUFRJ, concluiu que a gestão está “muito aquém do esperado”. Foram apontados falta de planejamento estratégico, ausência de planos de trabalho, linhas de atuação pouco claras, cortes acentuados de investimentos nas diversas áreas. O relatório foi aprovado por unanimidade, com acréscimos de recomendações para o ensino técnico, no dia 10.

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