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WhatsApp Image 2021 01 08 at 11.33.30 1Foto: Fernando Souza / Arquivo AdUFRJTodos os 27 leitos do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho para pacientes com covid-19 estão ocupados. A situação reflete o recente aumento dos casos da doença, que pressiona o sistema de saúde do estado. No dia 4, segundo o governo fluminense, estavam preenchidas 87% das vagas de enfermaria e 92% das vagas de CTI da capital voltadas para o combate à pandemia.
O avanço do contágio pelo coronavírus também coincidiu com a diminuição da capacidade de atendimento da unidade, por falta de pessoal. Em junho, o HU chegou a ativar 48 leitos de CTI e 32 de enfermaria, exclusivos para o tratamento da doença. Mas, no início de novembro, foram encerrados os contratos de profissionais temporários, pagos com recursos do MEC. De outubro até o fim de dezembro, o efetivo contratado com verbas do Ministério da Saúde sofreu uma redução de 50%. Hoje, há 15 leitos de CTI e 12 de enfermaria para covid-19.
“Em dezembro, voltaram a aparecer muitos pacientes. Só que o HU ainda não conseguiu expandir o número de leitos”, explica o médico intensivista Pedro Tibúrcio. “Para quem está na batalha desde o início, a fadiga é absurda”, completa.
“O hospital se adequou tanto quanto possível às circunstâncias do recrudescimento de casos. Houve a descontinuidade de alguns contratos de pessoal e isso sobrecarrega os que continuaram trabalhando”, reforça o professor Alexandre Cardoso, pneumologista e ex-diretor do HU. “Não têm sido momentos fáceis para nós no hospital, mas estamos dando conta do recado”.
Além do cansaço, os profissionais de saúde convivem com o risco de infecção. Segundo o Serviço de Saúde do Trabalhador do hospital (Sesat), já foram registrados 3.221 casos suspeitos sintomáticos: 2.171 foram afastados por até cinco dias enquanto aguardavam resultados e negativaram; 1.050 casos positivos foram afastados por 12 ou mais dias. Cerca de 15 ainda estão afastados. Não há casos de reinfecção.
Em compensação, Pedro destaca que a expertise da equipe cresceu após quase dez meses de pandemia — o HU começou a receber os primeiros casos confirmados e suspeitos de covid-19 na segunda quinzena de março. “Lá atrás, nós não tínhamos know-how. Nossa atuação hoje é muito mais eficaz. Mas estamos trabalhando com menos gente”.
O médico reafirma os cuidados que a população deve seguir. “As medidas de não aglomeração, de uso de máscaras e higiene das mãos deverão ser mantidas na nossa rotina”, alerta. “Esperamos que a vacinação comece o mais rapidamente possível e que tenha adesão maciça, qualquer que seja a vacina oferecida”, completa.
A mensagem é acompanhada pelo diretor-geral do HUCFF, professor Marcos Freire: “A pandemia não acabou. Estamos todos ansiosos pela vacina e conscientes de que é importante seguir as regras de ouro”, afirma.
Alexandre Cardoso cobra a responsabilidade do presidente Jair Bolsonaro: “Ele dá maus exemplos em todos os níveis, não usa máscara e algumas pessoas acabam seguindo isso”, diz. “E não tem ainda um plano de vacinação estruturado”, critica.

NOVAS CONTRATAÇÕES
“Para 2021, as perspectivas são boas. Temos um hospital abastecido e uma direção mobilizada para manter seu corpo funcional”, acrescenta Marcos Freire, destacando a integração entre o HU, o Complexo Hospitalar e as esferas federal, estadual e municipal.
Para expandir o número de vagas para covid-19, o hospital conta com uma nova contratação de profissionais temporários via Fiotec, a fundação de apoio à Fiocruz, com verba do Ministério da Saúde. O prazo de trabalho será de seis meses. “Desta forma, o cronograma de abertura progressiva de leitos, para oferta de CTI e enfermaria, foi iniciado esta semana com o acolhimento destes profissionais. Até o momento, recebemos 245. Está prevista a chegada de um total de 495 profissionais da Fiotec”, informa a assessoria de imprensa do HU.
Com recursos humanos adequados, a unidade diz que teria capacidade de até 350 leitos (hoje, são 283), sendo 74 leitos para atendimento de pacientes com covid-19.

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