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Campanha apresenta 82 mil assinaturas pela Ciência

Fotos: Pedro Lenehr

A campanha Conhecimento Sem Cortes cresceu e apareceu. E Brasília foi o cenário do seu último ato. As mais de 82 mil assinaturas da petição da iniciativa, recolhidas em pouco mais de três meses, foram entregues ao presidente em exercício do Senado, Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), e ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

A petição foi protocolada em ato solene no Salão Nobre da Câmara dos Deputados. Mais de 40 deputados federais e senadores participaram das atividades no Congresso Nacional e reconheceram os efeitos dos cortes de orçamento destinados à ciência e a necessidade de investimentos no setor. Desde 2015, já são mais de R$ 12 bilhões cortados da educação, ciência e tecnologia.

A professora Tatiana Roque, presidente da Adufrj e coordenadora nacional da campanha, explicou o objetivo da atividade em Brasília. “Pedimos a garantia do investimento para o pleno funcionamento das universidades públicas e dos institutos de ciência e tecnologia. Além da manutenção das políticas de permanência para os estudantes e de verba para a pesquisa”, disse. “Para que isso seja possível, acrescentamos ser fundamental a revogação da Emenda Constitucional do Teto de Gastos, que é outro ponto da petição”, completou.

Pela manhã, Tatiana Roque, o professor Ildeu Moreira, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, e a professora Helena Nader, representando a Academia Brasileira de Ciências, participaram de uma reunião da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara. Ao lado do deputado e ex-ministro de Ciência e Tecnologia, Celso Pansera (PMDB-RJ), eles discutiram os efeitos nefastos dos cortes de recursos para a pesquisa e o desenvolvimento nacionais.

Nader apresentou alguns números: “O Brasil hoje ocupa o 75º Lugar em competitividade. A 122ª posição em qualidade em educação. E a 132ª posição em educação primária. Isto, para nós, é uma vergonha”. Para a pesquisadora, o país anda na contramão do mundo. “Se olharmos para os BRICS, veremos que eles estão anos-luz da gente. Educação, saúde, ciência não são despesas; são investimentos”, disse.

Ildeu Moreira destacou o aprofundamento dos cortes no orçamento para o ano que vem. “O cenário para 2018 é catastrófico. O CNPq só terá recursos para pagar bolsistas até o meio do ano. O orçamento da Capes será reduzido 32% para o ano que vem”, revelou. Para o dirigente, a mobilização da sociedade científica precisa manter pressão sobre o Congresso Nacional. “Se não conseguirmos sensibilizar os parlamentares brasileiros, nós vamos pagar um preço muito alto. O trabalho de décadas está ameaçado”.

Tatiana destacou o papel da campanha na conscientização para a defesa da educação pública e da pesquisa. “Temos um desafio específico que é envolver as pessoas nessa causa. Não basta estarmos certos. É preciso sensibilizar a sociedade”, disse. Pensar novas estratégias e formatos de mobilização esteve entre as principais preocupações para atrair mais adeptos. “Uma das linhas de ação foi entrar na disputa de narrativas nas redes sociais sobre a importância do investimento público, além de mostrar para a população tudo o que a universidade produz de bom. Também instalamos os Tesourômetros (contadores eletrônicos que medem os cortes nas áreas desde 2015) para tornar visível o tamanho do nosso problema”.

Professores da UFRJ fizeram questão de apoiar as ações em Brasília. O reitor Roberto Leher participou da reunião da comissão. Além dele, Edson Watanabe, diretor da Coppe e a diretoria eleita da Adufrj prestigiaram a atividade.

Saber em xeque 

No dia anterior, 9 de outubro, a Campanha realizou uma performance no gramado do Congresso Nacional. Livros gigantes, de quatro metros de altura, foram colocados no gramado do Congresso Nacional e depois derrubados, em efeito dominó, para denunciar os prejuízos causados pelos cortes no orçamento da educação, ciência e tecnologia. A ação ganhou ampla repercussão na imprensa.