Divulgação/CNPq

Silvana Sá

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A crise orçamentária do CNPq pode levar ao corte de todas as bolsas financiadas pela agência a partir de setembro. Não existe confirmação oficial, mas a possibilidade já preocupa estudantes e orientadores em todo o Brasil. Somente na UFRJ, podem ser prejudicados 3.596 bolsistas.

Coordenador do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica na universidade, o professor Victor Melo disse que são evidentes “os indícios sobre cortes” e que as informações “chegaram ao Comitê de fontes diversas (não só imprensa)”.

Victor demonstra preocupação especial com os alunos. “Uma das exigências do CNPq é que o estudante não tenha vínculo empregatício. Se a agência não paga, como ele conseguirá se manter na universidade?”, questionou. “Além de atrapalhar a formação de novos pesquisadores e prejudicar laboratórios, há o grave impacto na continuidade dos estudos desses jovens. E isso é de uma perversidade enorme. Justamente por isso, resolvemos agir imediatamente”, justificou, em referência a uma nota divulgada pelo comitê do PIBIC, no último dia 2.

O docente criticou a asfixia financeira da educação e da ciência. “É claro o projeto de desmonte do Estado brasileiro e ele está acontecendo em diferentes âmbitos. A pesquisa é uma das principais áreas que garantem a soberania nacional”, afirmou Victor. “Cortar as bolsas do CNPq é inviabilizar a existência da agência. Uma instituição que, ao longo da história, tem sido fundamental para o desenvolvimento de um projeto de nação”, completou.

Promessas de manutenção

O presidente do CNPq, Mario Neto Borges, reuniu-se com o ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, para tratar do assunto, no dia 2. Não saiu com uma resolução, apenas com a promessa de que o ministério garantirá os pagamentos a partir de setembro. “Manifestamos a preocupação com relação a recursos e bolsas de pesquisa, e o ministro nos tranquilizou quanto à situação, nos deixou confiantes para continuar trabalhando pela normalidade no CNPq”, afirmou Mario, em nota divulgada pela agência. Somente neste ano, foram contingenciados R$ 572 milhões do CNPq.

Já o ministério, também por nota, reafirmou o compromisso de garantir o financiamento até o fim do ano. “Posso dizer que estou bastante otimista. Embora acredite que, na vida, sempre devamos estar preparados para o pior, tenho a confiança de que, mais uma vez, vamos conseguir sensibilizar a equipe econômica e o presidente da República de que a nossa área deve ter tratamento diferenciado, para que continuemos a desenvolver as pesquisas”, disse o ministro Kassab, na abertura da reunião do Conselho Nacional de Secretários Estaduais para Assuntos de Ciência, Tecnologia e Inovação (Consecti), no dia 3.

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