13082661
A origem do Andes-SN  

Primeira mesa do evento realizado na UFF, em Niterói, resgata história da entidade e do sindicalismo no país

Elisa Monteiro. elisamonteiro@adufrj.org.br
 
“Onde estamos e para onde podemos ir dentro do embate em favor do projeto de educação que defendemos”. Assim o professor Josevaldo Cunha apresentou um curso de formação sindical promovido pelo Andes-SN, nos últimos dias 16 e 17, na Universidade Federal Fluminense, em Niterói (RJ). Foi o primeiro – de um total de cinco – que serão organizados nas cinco regiões do país, ainda no segundo semestre de 2013, conforme deliberado pelo 58º Conad da categoria (realizado em julho, em Santa Maria (RS)). Cunha, que é um dos coordenadores do Grupo de Trabalho de Formação Sindical do Andes-SN, considera a iniciativa como um dos reflexos da grande greve nacional do ano passado: “Houve um acréscimo quantitativo e qualitativo da participação dos docentes nas pautas”. 
 
No primeiro dia do evento, coube ao professor Paulo Rizzo contar um pouco da história do movimento docente: “Tudo começou com um pequeno cartaz, fixado por professores da USP, chamando para uma reunião de associações docentes durante uma SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência). Várias apareceram e alguns encontros nacionais foram realizados até no final de 1979, quando estourou a primeira greve nacional dos professores das federais. Havia uma polêmica sobre fundar ou não uma Associação Nacional dos Docentes de Ensino Superior, assim como, para alguns, não era momento de paralisações. Mas a greve nacional constrangeu esses setores”, explicou Rizzo, que é o encarregado de Relações Sindicais do Andes-SN.  
 
Quanto ao formato, a então recém-fundada entidade optou pela proposta de organização “por local de trabalho”: “Os servidores já estavam em lutas nas associações como se sindicatos fossem”, conta Rizzo. No caso dos docentes, Rizzo relatou que “não queriam construir um sindicato atrelado ao Estado; eles queriam uma organização nova. Uma estrutura horizontal contra a verticalidade da estrutura sindical foi majoritária”. E, depois da redemocratização, as associações docentes locais se converteram em seções sindicais. 
 
Antes do Sindicato Nacional
Antes do Andes-SN, Rizzo narrou que os sindicatos no Brasil surgiram no início do século XX a partir de “uma classe operária nova, formada sobretudo pelos imigrantes europeus , com grande influência anarquista”. Eram sindicatos livres, sem interferência do Estado, que travaram greves e outras lutas até o início dos anos de 1930. A partir desse período, “com o processo de modernização do Brasil, o capital passa a ter uma necessidade de disciplinamento da classe trabalhadora para deslanchar seu processo de acumulação”. 
 
Nesse contexto, o então presidente do Brasil, Getúlio Vargas, promove uma intensa repressão às organizações dos trabalhadores, “muitas delas jogadas na clandestinidade, com prisões, mortes e torturas”.  Por outro lado, tem início o “sindicalismo do Estado”, a partir de iniciativas como a criação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), do Ministério do Trabalho, do estatuto padrão e do sistema confederativo: “É criada uma estrutura que vincula a organização ao próprio Ministério do Trabalho, que possui o direito de intervenção sobre sindicatos. O estatuto padrão significa que todos eram obrigados a seguir o sistema sindicato-federação-confederativo, portanto, uma estrutura verticalizada. O imposto sindical, que está ai até hoje, é uma contribuição obrigatória que tornou desnecessária a filiação de massa; não havia mais demanda pela sindicalização voluntária”, completou Rizzo.
 
Na visão do palestrante, no Brasil, “essa estrutura perdura até hoje, apesar de algumas mudanças”: “Até a ditadura, embora as centrais tenham sido proibidas, não se chegou a mexer (nesse sindicalismo de Estado) porque atendia aos interesses de acumulação”. 
Para o docente, os anos de 1970 foram um marco por representar a primeira tentativa de ruptura com o peleguismo: “É o primeiro grande movimento no Brasil de buscar romper com o sindicalismo de Estado e buscar novas formas de organização”, afirma. “E é desse processo que surge a Associação Nacional dos Docentes”. 
 
O papel do sindicato
O professor retomou as reflexões de Karl Marx para criticar uma compreensão “fragmentada” sobre o Sindicato. De acordo com ele, a especialização imposta à Academia contribui para uma leitura “priorista” e não relacionada com entidades de classe. “Qual é a função do sindicato?”, interrogou. “O sindicato, claro, tem uma função na luta por direitos. Mas ele também atua como mediador na relação social de troca da mercadoria/força de trabalho. Aquelas tabelas (para negociação salarial) que fazem muitos olhos brilharem com o salário que defendemos, na verdade, expressam nossa visão de valor de uso da mercadoria que é nosso trabalho”, defendeu. 

ADICIONAR COMENTÁRIO

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

(*)

(*)