Kelvin Melo

kelvin@adufrj.org.br

Foto: Andes-SN

Docentes de todo país estão reunidos em Niterói para o 62º Conselho do Andes-SN, o Conad, este ano com a temática: “Avançar na unidade e reorganização da classe trabalhadora: em defesa da educação pública e nenhum direito a menos!”. O encontro vai até domingo, 16.

Na tarde do primeiro dia do evento (13), ocorreu a mesa “Movimento docente e a conjuntura”. Ao todo, oito textos foram apresentados — formulados pela diretoria do Andes-SN, pelas seções sindicais e por docentes sindicalizados. A plenária não era deliberativa, mas expôs as diferenças de opinião sobre os rumos do Sindicato Nacional diante da crise. Todos defenderam a derrubada do governo atual e suas contrarreformas. O problema é o momento posterior, se alcançado o primeiro objetivo.

A direção entende que, se Temer cair, devem ser realizadas eleições gerais, com novas regras que limitem a influência do poder econômico: “A defesa de diretas já e eleições gerais é legítima, mas não temos ilusões de saída pela via eleitoral, especialmente neste sistema político corrompido. Setores que até pouco tempo estavam no governo, aplicando as contrarreformas, se limitam a defender diretas já”, diz um trecho da tese apresentada pela diretoria. A presidente do Andes, Eblin Farage apontou os principais desafios para a categoria a partir do próximo semestre. “Temos que ampliar a mobilização e recuperar a unidade para, a partir dos comitês de base, combater as contrarreformas”, disse.

Juliana Fiúza, 1ª vice-presidente da Regional Rio de Janeiro do Andes, coordenou os trabalhos da plenária de análise da conjuntura: “O debate mostrou a diversidade de posições que temos no Sindicato Nacional e, mais uma vez, afirmou o quão democrático é o funcionamento do Andes”, afirmou.

Oposição critica

Integrante do grupo de oposição chamado Renova Andes, que defendeu as tese das diretas já, o professor Fábio Venturini, da Unifesp, argumenta que a diretoria do Sindicato faz o discurso da unidade “há anos”. Mas a metodologia dos encontros e a postura da direção dificultam o diálogo: “Quando a diretoria não quer discutir, joga o assunto para o fim dos grupos de trabalho, para o fim dos encontros, quando os eventos já estão esvaziados”, disse. “Por isso, o Renova Andes surgiu. O debate precisa ser sério e fraterno”.

Sobre a ação política, Venturini observa que o problema da diretoria quanto às eleições diretas é uma possível volta de Lula, líder nas pesquisas de opinião, à presidência: “Quem deve decidir é o povo. Bate na direção o mesmo desespero que bate na Fiesp. O meu inimigo está claro. Foi quem deu o golpe”, argumenta. Ele completa que o grupo não rejeita a proposta de eleições gerais: “Mas com quais novas regras? E quem vai definir as regras? O atual Congresso? Rodrigo Maia? O Henrique Meirelles? Então acaba virando um grito de guerra que é feito para não realizar nada”, critica.

As plenárias que serão realizadas neste fim de semana (15 e 16) vão decidir esta e outras questões. (com informações do Andes).

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