Os dados sobre a categoria cor/raça dos docentes das Instituições de Ensino Superior, especialmente para a UFRJ, ainda são parciais. Como se observa no gráfico 1, a proporção de professores das universidades públicas sem registro de cor/raça é muito elevada. A proporção dos que se declararam negros é mínima e se manteve estável nas universidades privadas e na UFRJ e houve um ligeiro aumento nas estaduais e municipais (gráfico 2).


Fonte: Censo do Ensino Superior, segundo categorias administrativas e UFRJ – Brasil, 2013 a 2016

A participação de quem se declara pardo é também menor na UFRJ (gráfico 3). As limitações relacionadas com o preenchimento das informações sobre cor/raça – por si sugestivas das dificuldades de obtenção de evidências sobre discriminação –, não autorizam inferências consistentes sobre a participação dos docentes negros na UFRJ. Mas, os dados disponíveis evidenciam um enorme contraste entre a cor/raça da população brasileira e a de seus professores no ensino superior.
Diretoria da Adufrj


ARTIGO: “Ilhas de Branquitude”

Em 20 de Novembro comemoramos o Dia da Consciência Negra, constituindo um momento de reflexão sobre a importância da cultura e do povo africano na formação da identidade nacional. Este é um tema a ser discutido o ano inteiro.

Uma questão relacionada é o confinamento racial* nas IES brasileiras. Embora não saibamos quantos docentes negros temos nos quadros da UFRJ, por mera observação, notamos que esta ainda é uma ilha branca cercada por negros. Questiona-se como que esta exclusão racial não tenha suscitado nenhuma discussão ou incômodo por parte dos acadêmicos brancos brasileiros*. A prática de exclusão de pesquisadores negros não é recente. Três exemplos bem conhecidos são os intelectuais Abdias Nascimento, Guerreiro Ramos e Edson Carneiro, estes dois últimos impossibilitados de ingressar na Universidade do Brasil*.

Esta exclusão se deve a um predomínio da cultura de matriz europeia na academia brasileira. Embevecidos por um discurso de origem eurocêntrica, nossas instituições estabelecem regras, critérios, conceitos e julgamentos do que são ou não classificados como qualidades em diversas especificidades das relações institucionais.

Buscando reverter este quadro, ressaltamos a importância de fomentar no meio acadêmico um discurso inclusivo e plural, que leve em consideração questões de raça, gênero, religião, orientação sexual, origem social e que considere as diversas fontes culturais.

*J.J. Carvalho , REVISTA USP, n.68, p. 88-103, 2005-2006

Professor Antonio Carlos Fontes dos Santos (IF-UFRJ) & Rodrigo Fernandes Morais (doutorando PEMAT-UFRJ)

ADICIONAR COMENTÁRIO

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

(*)

(*)