- Adufrj - http://www.adufrj.org.br -

Arte sem obra

IMG 9612


Arte sem obra


Escola de Belas Artes completa 200 anos com instalações precárias

Texto e fotos: Silvana Sá
silvana@adufrj.org.br

Prestes a completar 200 anos, em agosto, a Escola de Belas Artes ainda não tem prédio próprio. O curso mais antigo da UFRJ funciona em instalações improvisadas, emprestadas pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, no prédio da reitoria, desde que se mudou para a Cidade Universitária, na década de 1970.

Os laboratórios de pintura e gravura são constantemente infestados por cupins que corroem mesas, cadeiras, cavaletes e atacam também os trabalhos dos estudantes. Quando chove, há goteiras por todo o ateliê de pintura. No curso de Escultura, faltam espaço e sistema de exaustão para quem trabalha com resina. Os cursos não possuem sistema de refrigeração e, menos ainda, de controle de umidade para o armazenamento das obras. Os professores não possuem salas ou laboratórios próprios para pesquisa. A iluminação é precária.

“Temos carência de espaço para as diversas disciplinas. No caso do curso de Artes Visuais com ênfase em Escultura, precisamos de um amplo espaço para trabalharmos as obras em três dimensões. Aqui, fazemos adaptações, mas não é o ideal”, reclama o professor Nivaldo Rodrigues, docente da UFRJ desde 1999.

O curso de gravura funciona em salas improvisadas com divisórias no mezanino do antigo ginásio da FAU e que hoje abriga o ateliê de pintura da EBA. “Não há acústica, nem sistema de refrigeração. Já houve caso de um professor desmaiar de calor no verão. É difícil conseguir materiais, dos básicos, como cavaletes, aos mais complexos, como computadores, câmeras fotográficas, data-shows, igualmente importantes para o trabalho”, revela o professor Licius Bossolan.

IMG 9606

Também falta pessoal docente e técnico-administrativo. “Nós, que trabalhamos 40 horas em Dedicação Exclusiva deveríamos destinar um tempo importante para a pesquisa, mas precisamos cobrir a deficiência de professores em sala de aula”, diz. “Além disso, meu departamento, por exemplo, está sem secretária há seis anos. Isto faz com que os professores tenham que realizar também essas funções de secretaria, o que nos sobrecarrega ainda mais”, revela Licius.

Prédio invisível

O prédio prometido em 2009 para a EBA até hoje não foi construído. “Se nem o curso de 200 anos da universidade não tem estrutura, quiçá os novos”, completa a professora Martha Werneck. “Onde está o dinheiro investido no prédio novo? Então, uma empresa ganha a licitação, declara falência e fica por isso mesmo?”, questiona.

A empresa que venceu a licitação, Lytoranea Ltda., deveria ter terminado a obra em 2011. A demora na entrega do projeto executivo fez com que a universidade acusasse a empresa de “inexecução contratual”. Depois, a construtora entrou na Justiça contra a UFRJ e a obra está embargada desde então.

 

“Nossos problemas seriam solucionados com um edifício que atendesse às especificidades de cada um dos cursos. O projeto que não foi continuado previa todas essas necessidades. A direção atende às nossas demandas dentro do possível, mas faltam recursos”, completa Nivaldo Rodrigues.

IMG 9610