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Artigo: “Perdemos capacidade de gestão”

Nunca acreditei que pudéssemos gerir uma casa de espetáculos, como o Canecão, mas tinha convicção de que poderíamos gerir adequadamente nossas atividades acadêmicas. Nos últimos anos, perdemos capacidade de gestão, perdemos coesão em nossas decisões. Nossa universidade apresenta problemas sérios que devem ser debatidos e compreendidos por uma seção sindical. Esse é o caso das questões orçamentárias. É fundamental colocar que padecemos de falta de transparência no orçamento. É inconcebível que as contas não estejam online para que todos pudéssemos saber a origem e a direção dos gastos. A recorrente prática de aprovação de orçamentos deficitários é danosa. Impede a hierarquização de gastos e deixa ao critério da Reitoria a escolha das contas que devem ser pagas. Um orçamento deficitário equivale a um cheque em branco.

No segundo número da Revista da Adufrj argumentamos pelo potencial uso de nosso patrimônio no financiamento de gastos da universidade. Esse potencial não poderá ser atingido mantidas a pouca flexibilidade orçamentária e a obrigatoriedade de passagem dos recursos pela Conta Única da União, que ferem frontalmente os princípios de autonomia universitária. Não é possível que a universidade seja gerida como uma reparti- ção pública. É insustentável não só sob o ponto de vista orçamentário, mas acadêmico. Como transferir conhecimento para a sociedade com as amarras impostas é um desafio que não superaremos sem a mudança de concepção pública sobre o papel da universidade.