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Avaliação da Capes: comemoração com ressalvas

A avaliação quadrienal da Capes sobre os programas de pós-graduação da UFRJ foi celebrada em reunião do Conselho de Ensino para Graduados, no dia 22. Especialmente pelos representantes dos cursos que alcançaram o conceito máximo: “Não só ficamos com o primeiro lugar, como somos o único programa na Comunicação do Brasil com 7”, festejou Beatriz Becker, professora da ECO. “É uma conquista histórica para a área de Comunicação e Cultura. E fruto de muito esforço conjunto de professores, técnicos e alunos”.

Durante a reunião do colegiado, a reitoria apresentou uma avaliação bastante positiva dos resultados. “Oitenta e três por cento dos programas mantiveram ou elevaram seus conceitos. Essa é a mensagem que a reitoria gostaria de deixar sobre essa avaliação”, destacou a pró-reitora de Pós-graduação e Pesquisa, professora Leila Rodrigues. A conta leva em consideração os cursos acadêmicos e os mestrados profissionais.

O saldo ficou assim: 21% das pós (equivalente a 27 cursos) subiram de posição; 57% (74) mantiveram o conceito anterior; 7% (22) caindo e 5% (6) não avaliados.  Na projeção dos desempenhos por Centro, Leila sublinhou a participação geral do Centro de Ciências da Saúde.

De acordo com a pró-reitora, a administração acompanhará de perto os recursos para reversão das avaliações com baixo resultado. Um dos casos citados foi a Escola de Serviço Social, que encolheu de 6 para 4. Haverá especial atenção para os quatro cursos indicados para descredenciamento. São eles: Economia Política Internacional; História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia; Letras Clássicas; e Produtos Bioativos e Biociências.

Os encaminhamentos imediatos são a suspensão de editais e produção dos recursos junto aos coordenadores. Leila Rodrigues informou que os diplomas dos estudantes são garantidos pela nota de criação dos programas. A situação das bolsas ainda será avaliada.

Ranking nas vacas magras

A redução dos recursos para pesquisa é a maior preocupação para quem realiza pesquisa na universidade hoje. “Diante dos cortes aplicados tanto na Educação quanto nas agências de fomento à pesquisa”, analisou o professor Jose Garcia Junior, do Instituto de Ciências Biomédicas. “O mínimo que se espera da Capes é que não haja avaliação no próximo quadriênio. E já há um movimento de discussão nesse sentido”, disse. Garcia frisou que, “embora a UFRJ apareça para a sociedade como uma liderança nacional, ela também é vista para fora como inimiga do atual governo”, o que a fragiliza em termos de negociações.

O docente expressa preocupação com o futuro: “Podemos dizer que boa parte do resultado positivo da UFRJ nesta avaliação se deve a um ciclo virtuoso de investimentos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (Faperj). Com a Fundação sucateada como está, a tendência é uma piora expressiva nos resultados”.

Perda de espaço

“A UFRJ mostra um bom resultado geral. Mas muito em função da criação de novos cursos”, observou Maria Alice Zarur Coelho, professora da Escola de Química. “Há uma estagnação entre os já consolidados. Isso é particularmente preocupante quando, comparativamente, universidades de outras regiões aumentam investimento em pesquisa, enquanto no Rio só perdemos”.

Maria Alice citou recente aporte de recursos da Universidade Federal do Ceará na área de Química. Já a professora Rachel Coutinho Carvalho, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, acrescentou o aumento da concorrência das particulares: “Instituições como as PUCs (Pontifícia Universidade Católica) e Mackenzie não precisam lidar com cortes”.