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Bresser quer novo desenvolvimentismo no país

Professor da FGV-SP aponta diretrizes econômicas para Brasil sair da crise

O economista Luiz Carlos Bresser-Pereira defende a aplicação de um novo desenvolvimentismo para tirar o país da crise. “Tudo o que mais creio na vida é que o liberalismo econômico é incompatível com o desenvolvimento brasileiro”. Foi o que afirmou em seminário realizado na Coppe, dia 6.

As diretrizes do modelo foram condensadas no chamado “manifesto do Projeto Brasil Nação”: reforma tributária que torne os impostos progressivos, taxa básica de juros baixa e retomada do investimento público para estimular a economia, entre outros fatores. O documento foi lançado em abril e já conta com mais de 10 mil assinaturas. Vários intelectuais e políticos apoiam o texto.

O professor Bresser-Pereira, ao lado do diretor da Coppe, Edson Watanabe -Foto:Divulgação/Coppe

 

Segundo Bresser-Pereira, que é professor emérito da Fundação Getúlio Vargas, de São Paulo, há 27 anos o Brasil segue a cartilha liberal, que só beneficia o setor financeiro. “Precisamos voltar a ser uma Nação. Estamos numa transição. Não sabemos para onde vamos. Mas certamente estamos muito mal”, disse.

Ele criticou o argumento do governo de que basta fazer as reformas para o Brasil entrar nos trilhos. “Entre 1999 e 2010, o país estava com suas contas fiscais absolutamente em ordem, superávits primários perfeitamente de acordo com as demandas do FMI. E, no entanto, onde está o crescimento extraordinário? Faltaram políticas cambial e de juros adequadas”. Sobre a reforma trabalhista, foi ainda mais enfático. Disse que o Brasil já se desenvolveu extraordinariamente com essa mesma legislação (até 1980): “Sempre é possível fazer ajustes, mas não vejo nenhuma prioridade para isso”.

Bresser-Pereira afirmou que é importante todos se engajarem na mudança de economia. Deu como exemplo o setor de Ciência e Tecnologia — ele foi ministro da pasta, em 1999: “Se deixarem a política econômica para os economistas liberais, é isso que vai dar. O Brasil não se desenvolve; a tecnologia não avança. Esse é o nosso desafio”, completou.