Mychael Lourenço - Foto: Arquivo pessoal

Isabella de Oliveira

isabella@adufrj.org.br

A excelência da UFRJ foi novamente reconhecida na última edição do Prêmio Capes de Teses. Três trabalhos da universidade, defendidos ano passado, foram selecionados pela agência entre os melhores do país em diferentes áreas de conhecimento.

Os autores receberão diploma, medalha e uma bolsa de pós-doutorado nacional de até 12 meses; o orientador ganha um auxílio de R$ 3 mil para participação em congresso no país. A cerimônia de premiação será no dia 7 de dezembro, em Brasília.

Na área de Ciências Biológicas, Mychael Lourenço ganhou com uma pesquisa relacionada à Doença de Alzheimer: “Nosso estudo reforçou a relação entre a diabetes e a perda de memória, além dos efeitos benéficos de exercícios físicos no controle das doenças”, explicou o estudante do Instituto de Bioquímica Médica.

Mychael foi orientado pelos professores Sérgio Teixeira Ferreira e Fernanda De Felice. “Para nós, orientadores, é uma felicidade ver o progresso e crescimento dos alunos que trabalham conosco”, pontuou o docente. Teixeira endossou a necessidade estratégica de valorização da Ciência no país. “Apesar de todas as dificuldades que enfrentamos para fazer Ciência no Brasil, é ótimo ver o reconhecimento pelo trabalho sério que nosso grupo vem desenvolvendo há anos”, disse. “Nosso objetivo é fazer Ciência realmente de qualidade, e não apenas mais do mesmo”, completou.

As outras duas teses premiadas da UFRJ são da Antropologia e da Geografia. Orientado pela professora Adriana de Resende, Paulo Victor Leite Lopes é o autor da pesquisa “Homens autores de violência doméstica: relações de gênero, formas cotidianas de governo e processos de formação de Estado”.

Adriana comemorou o resultado do orientando: “Considero que sua premiação indica o reconhecimento por pares da relevância de aprofundarmos pesquisas sobre formas cotidianas de governo e sua relação com diversas dimensões da vida social, como gênero, família, sexualidade, entre outras”. Mas a docente não deixou de criticar a situação da pesquisa no país: “Cabe notar, porém, que os prêmios nem de longe podem compensar o quadro assustador que vivemos de cortes de toda ordem: de recursos de infraestrutura, de financiamentos, de condição de permanência e, o que não é menos grave, de horizontes de ampliação da vida universitária em todos os aspectos”, afirmou.

Em Geografia, o professor Marcelo José Lopes de Souza foi orientador de Rafael da Costa Gonçalves de Almeida, com a tese “Favelas do Rio de Janeiro: a geografia histórica da invenção de um espaço”. O aluno também falou sobre as dificuldades da pós-graduação no país: “Doutorandos no Brasil sofrem. A bolsa é insuficiente como única fonte de renda, embora a dedicação exclusiva seja uma exigência. Além disso, a pesquisa é raramente encarada como um trabalho”, lamentou Rafael.

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