Foto: Fernando Souza

Elisa Monteiro

elisamonteiro@adufrj.org.br

*e Fernanda da Escóssia

Depois de três semanas de tensão no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, a pressão da comunidade acadêmica rendeu boas novas. A Comissão Nacional de Residência Médica, vinculada ao MEC, recuou e decidiu garantir as matrículas dos 180 médicos aprovados no concurso de 2017. A medida foi anunciada na última quinta-feira, 11, após reunião da Comissão com a direção do hospital. Os cursos começarão em março.

As novas matrículas haviam sido suspensas por decisão da Comissão Nacional, determinada num relatório de 32 linhas, datado de 13 de dezembro e assinado por Rosana Leite de Melo, secretária-executiva da Comissão e professora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Três meses antes, dois inspetores da Comissão passaram dez horas no Clementino. “Acompanhei a visita. Eles não pediram nenhum documento nem viram a rotina. Coordeno 52 residentes. Eles trabalham muito. Têm experiência prática e teórica”, lamentou Flávio Signorelli, coordenador do programa de Clínica Médica, o maior do HU. “Fechar é acabar com o principal formador de médicos do Rio de Janeiro”.

Sem apresentar dados, o relatório da Comissão diz que o hospital está em situação pré-falimentar, que faltam profissionais e leitos, e resolve estabelecer diligência para 30 residências. A mesma medida foi aplicada no Hospital Pedro Ernesto, da Uerj.

O documento surpreendeu a UFRJ. “Nunca vi nada igual. Acho irresponsável”, criticou Roberto Medronho, diretor da Medicina. “Não se trata de uma avaliação concreta com descrição dos problemas e indicação de soluções. Não há fundamentação pedagógica para interrupção dos programas”, apontou Leôncio Feitosa, diretor do hospital e presidente licenciado do Sindicato dos Médicos do Rio.

Também causou revolta o fato de a medida se aplicar sem distinção a todas as residências, a maioria com alto índice de aprovação nos exames de especialista. “Os médicos da UFRJ têm 100% de aprovação na prova de títulos”, diz Flávia Conceição, professora da Medicina e presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia/ RJ. “Essa residência é a mais disputada do Rio. Quem passa não desiste.”

DEPOIMENTO

Syllvia Dalcolmo, residente do 1º ano – Foto: Isabella de Oliveira

“Sou residente de Hematologia e Hemoterapia. Para mim, esse relatório do MEC foi um baque. Sou cria do Fundão e baseei minha escolha por sua excelência. A UFRJ é a minha casa. A residência é um passo fundamental para todo médico em formação. Nossa experiência profi ssional começa aqui. O relatório do MEC não condiz com a realidade, diz que o hospital está em situação pré-falimentar. Desconheço um hospital nesta situação que faça transplante de rim. É uma pena um pilar da universidade ser colocado à prova dessa forma. Poderia ser melhor? Claro que poderia. Mas a pergunta que devemos fazer é: a UFRJ forma médicos ruins? Na minha avaliação, não.”

Leia também:
Hospital contestou diagnóstico de “situação pré-falimentar”
Clementino Fraga Filho é vital para o Rio
Nota da diretoria da Adufrj sobre avaliação da residência médica

Um comentário

  • Suely Holanda disse:

    Seria um absurdo acabarem com a residencia da UFRJ. Um Hospital de excelência, no qual é feito varias pesquisas , dentre as que conheço: pesquisas da dor, lupus, na area de gastro, endoscopia, e muitas outras. Nosso povo ja tao sofrido nao pode mais perder hospitais, temos sim que melhorar os que temos e criar mais hospitais principalmente nas areas mais pobres do rio. Acabar com a residencia desse HU ou de qualquer outro seria uma insanidade. Eles tem sim que saber o que falta para melhorar e fazer investimentos nessas áreas.

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