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Conheça o candidato a presidente da Adufrj-SSind

Futuro
Candidato a presidente da Adufrj-SSind, biênio 2013-2015, Cláudio Ribeiro conta sua trajetória
 
Contato mais forte com o movimento docente iniciou-se na greve do ano passado
 
Silvana Sá. silvana@adufrj.org.br
 

O professor Cláudio Ribeiro recebeu o Jornal da Adufrj no último dia 28. Em conversa de mais de uma hora e meia, revelou como um mineiro de Belo Horizonte (é torcedor do Atlético-MG) veio parar na UFRJ. E como se interessou pela candidatura a presidente da Seção Sindical, biênio 2013-2015, pela chapa “Adufrj de Luta e Pela Base”. Na próxima edição, serão destacados os pontos políticos defendidos pelo grupo. As eleições ocorrem em 11 e 12 de setembro.
 
Cláudio possui 37 anos. Estudou Arquitetura e Urbanismo na Universidade Federal de Minas Gerais, onde se graduou em 2000. Atuou alguns anos em um escritório particular de sua área e chegou ao Rio de Janeiro, em 2004, para fazer o mestrado no Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (IPPUR-UFRJ). Para a dissertação, estudou a Maré, comunidade vizinha ao campus do Fundão. 
 
Cláudio explicou que sua aproximação com a Maré, na época do mestrado, ocorreu em um momento que estudava o discurso ambiental utilizado para legitimar ações de segregação. “Tínhamos muito contato com estudantes que moravam na Maré nos grupos de pesquisa e acabamos nos envolvendo bastante com a comunidade”. Na época, havia o projeto de murar a Maré com concreto. O projeto foi aprovado na Alerj, mas vetado pela então governadora Rosinha Garotinho. “Chegamos à conclusão de que o veto só ocorreu porque seria um custo político muito alto sustentar que a comunidade deveria ser murada para proteger os usuários da Linha Vermelha da violência. Começou, então, a surgir o discurso ambiental de que, na verdade, a comunidade precisava ser protegida acusticamente do barulho da via. Então veio o que existe hoje”.
 
Logo depois, ele entrou para o doutorado na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, concluído em 2009. A pesquisa debateu conflitos da memória no espaço, cujos objetos eram os prédios históricos na cidade: “Meu viés de pesquisa tem sempre um caráter de urbanismo crítico”, explicou.
 

Quando finalizou o doutorado, Cláudio passou por uma experiência de dois anos em uma instituição de ensino superior privada: “Dei aulas na pós-graduação da Cândido Mendes, em Campos. Foi interessante, porque pude acompanhar os conflitos e dilemas pelos quais os colegas de universidades privadas passam. A precarização na profissão é uma questão presente em todas as esferas (pública e privada)”, disse.
O professor retornou à UFRJ em 2011, quando passou no concurso para Adjunto do Departamento de Urbanismo e Meio Ambiente da FAU. Ele dá aulas na graduação, mas também realiza pesquisas no Laboratório de Direito e Urbanismo, também naquela Unidade: “Apesar de não dar aulas na pós-graduação, nunca abandonei a pesquisa. É algo com o que me identifico muito”, observou.
 
Nessas recentes pesquisas, Cláudio tem se dedicado a debater a privatização do espaço público. Desenvolve ainda, há um ano, uma pesquisa teórica sobre urbanismo e periferia, com base na obra do geógrafo Milton Santos (1926-2001). História das Teorias Urbanas é a sua disciplina na graduação.
 
O interesse pela luta sindical e o desejo de ser professor
Processo-eleitoral [1]De acordo com ele, o envolvimento com o movimento estudantil foi muito importante para a sua formação. Cláudio participou do Diretório Acadêmico da Arquitetura da UFMG por três anos. E, ainda, como diretor regional, da Federação Nacional de Estudantes de Arquitetura. Em casa, os debates políticos também eram muito fortes. Além disso, ter sido bolsista de iniciação científica contribuiu para que se aproximasse da pesquisa: “Percebi o quanto isso me agradava e quão rica é a profissão de professor. Minha mãe é professora e essa realidade esteve presente na minha casa também”.
 
Ao se tornar professor da UFRJ, sentiu mais intensamente a necessidade de repensar a questão do ensino e das condições de trabalho. O entendimento de que o Sindicato precisaria fazer parte da sua vida se deu logo que tomou posse. A sindicalização foi uma das suas primeiras atitudes. Depois, veio a greve do Colégio de Aplicação, quando 28 professores substitutos ficaram sem receber salário por meses: “Minha esposa é professora do CAp e foi uma das que ficou sem receber. Acompanhei muito de perto o processo da greve no CAp, com a atuação direta da Adufrj-SSind”.
 
E, por pouco, não pôde tomar posse como docente da universidade: “Na época, a (presidenta) Dilma anunciou um corte e bloqueou uma série de posses em cargos públicos. Inclusive a minha e a de minha mulher ficaram ameaçadas. Foi uma luta grande até conseguirmos entrar na UFRJ”.
 
O produtivismo e a precariedade do trabalho são notados desde cedo pelos professores, antes mesmo de ingressarem na carreira. “A minha geração é a geração de professores que já foi formada na pós-graduação com um caráter quantitativo e produtivista. O tempo é sempre muito escasso. O Curriculo Lattes ganhou força quando eu estava no mestrado. Desde então, já sentíamos a precariedade do trabalho”.
 
O contato direto com a Seção Sindical, porém, aconteceu no período da greve de 2012: “Embora eu estivesse filiado desde que entrei na UFRJ, o primeiro contato mais forte foi na primeira assembleia que deflagrou a greve, no ano passado”.
 
Precarização das condições de trabalho deve ser combatida
O produtivismo e a precarização das condições de trabalho são os pontos que o docente considera mais negativos na profissão. Apesar disso, o que o inspira é a relação com os estudantes: “A sala de aula é o momento mais enriquecedor. É a garantia de que a gente vai se renovar. A possibilidade de ajudar na formação de alguém traz muita satisfação. Venho pra universidade resolver um monte de problemas, mas eles acabam na hora em que entro em sala de aula. Lutar por melhores condições de trabalho não significa querer dar menos aula, significa lutar para melhorar a qualidade dessas aulas, das discussões, da formação desses estudantes. Isso é imprescindível”.