Kelvin Melo

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A discrepância entre as solicitações de professores pelas unidades e o número disponível de concursos indica que não será nada fácil a tarefa da Comissão Temporária de Alocação de Vagas.

A demanda de 738 vagas é quase cinco vezes maior que as 150 anunciadas pela reitoria. Conforme mostra a tabela abaixo, lideram as solicitações: Medicina, com 49 professores; Macaé, com 43; Escola Politécnica, 36; e IFCS, 33.

A Cotav tem a responsabilidade de estudar os pedidos e propor aos colegiados superiores uma distribuição entre os vários cursos. A divisão ainda precisa passar por uma sessão conjunta do Conselho de Ensino de Graduação e do Conselho de Ensino para Graduados, além do Consuni.

Um dos critérios analisados – e ainda polêmico – é o número de matrículas discentes, tomando como base o segundo semestre de 2016. O período, conforme crítica da diretora do Instituto de Matemática, Walcy Santos, foi “completamente atípico”. Após o incêndio no prédio da reitoria, o CEG permitiu a todos os alunos o trancamento, quatro meses depois do início das aulas. “Muitos trancaram depois de obterem notas ruins nas primeiras provas”, contou Walcy.

Concursos anteriores sem explicação

Enquanto a comissão quebra a cabeça para preparar sua “escolha de Sofia”, chama atenção uma significativa diferença encontrada entre a divisão autorizada pela última Cotav, em 2013, e os concursos realizados desde então. Dos seis editais lançados, quatro foram da gestão do reitor Carlos Levi e dois da gestão Roberto Leher.

Levantamento feito pela reportagem da Adufrj (tabela abaixo) detalha o que ocorreu de 2013 a 2017 na universidade. Dos 573 concursos, apenas 240 pertenciam à Cotav 2013. Portanto, foram abertas 333 vagas, entre uma Cotav e outra, que não estavam incluídas na distribuição de 2013. A distribuição de vagas na universidade só pode ocorrer de duas formas: uma é pela Cotav. A outra é pela reserva técnica da reitoria, que é um quantitativo de vagas gerido pelo reitor para fazer ajustes entre as unidades.

Como os docentes do Colégio de Aplicação e da Escola de Educação Infantil fazem parte da carreira de ensino básico, técnico e tecnológico, estas unidades não participam do processo de alocação de vagas do magistério superior. Descontando esses editais, ainda há uma diferença de 319 vagas.

Questionado sobre os critérios para distribuição das vagas fora da Cotav 2013, o pró-reitor de Pessoal, Agnaldo Fernandes, disse que precisaria estudar os dados. “Isso demanda certo tempo. Provavelmente, só terei a informação na semana que vem”, afirmou. O dirigente, que foi superintendente de Pessoal na gestão Levi, disse que não sabia responder por que houve um intervalo tão grande entre as duas Cotavs. Mas avisou que a reitoria pretende fazer um funcionamento regular a partir da atual: “Nossa perspectiva é fazer todo ano”. Contou, ainda, que mesmo diante dos 738 pedidos de vaga das unidades, não há como disponibilizar mais que os 150 concursos previstos.

 

 

NOTA DA DIRETORIA

Até quando?

Poucas decisões universitárias são tão importantes quanto a abertura de vagas docentes. O ingresso de um docente implica um investimento de longa duração e elevado nível de irreversibilidade. É com esse espírito que os professores que compõem a Comissão Temporária de Alocação de Vagas (Cotav) se reunirão nos próximos dias para deliberar sobre a alocação de 150 vagas docentes entre as unidades da universidade.

No entanto, sua tarefa será bastante dificultada, se levarmos em conta a falta de critérios quanto à alocação anterior de vagas. Quando indagada pela Adufrj, a Reitoria não conseguiu responder questões básicas. A UFRJ parece desconhecer quantos professores deixaram seus quadros desde 2013, quais os concursos realizados desde aquele ano e qual a sua distribuição setorial. Como distribuir as 150 vagas entre as unidades sem essas informações é um mistério que somente a criatividade pode solucionar.

A reportagem da Adufrj apurou que, em 2013, a Cotav definiu a distribuição de 240 vagas. Só que, desde então, a UFRJ realizou concursos para 573 vagas. Isso implica que 333 ingressantes desde 2013 não tiveram suas vagas definidas por Cotav. As alocações foram fruto de decisões de gabinete das gestões anterior e atual. Até o momento não houve qualquer iniciativa da Reitoria de esclarecer os critérios que iluminaram essa distribuição.

A universidade está sob forte ataque por diferentes grupos políticos. Ela não deveria facilitar o trabalho de seus detratores. A provisão de informação e a transparência de seus atos são critérios mínimos para responder aos ataques e são considerações que, acreditamos, os participantes da Cotav e o corpo social universitário merecem.

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