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Diretorias unidas por um novo sindicalismo

Em auditório cheio, Tatiana Roque e Maria Lúcia Werneck falaram sobre os desafios de dirigir a Adufrj em tempos de crise

Uma visita ao passado recente e um esboço do que serão os pró­ximos dois anos da Adufrj. Esse foi o tom da cerimônia de posse da nova diretoria do sindicato na noite do último dia 16, em um cheio Salão Pedro Calmon, no Palácio Universitário.

A tônica da gestão anterior foi “bus­car novas formas de mobilização” para “representar melhor as diferentes visões de professoras e professores da universi­dade”, explicou a ex-presidente Tatiana Roque. Para ampliar a participação docente nas decisões do sindicato e conectar a Adufrj com a sociedade, ela destacou as inéditas assembleias multicampi com votação em urna e a campanha Conheci­mento Sem Cortes.

Assembleia representativa: 113 docentes assinaram o livro da reunião – Foto: Fernando Souza

A abertura de espaços de discussão sobre temas nacionais foi outra marca. Tatiana lembrou a luta contra o teto de gastos públicos, a participação nas Marchas pela Ciência e a solidariedade às instituições estaduais de ensino su­perior do Rio de Janeiro. “Defender a universidade pública é uma das razões de existir da Adufrj”.

Sobre a transparência dos gastos e o custo de funcionamento da Adufrj, a ex-presidente mostrou que houve cresci­mento na arrecadação: “Fizemos tudo isso deixando o orçamento da Adufrj maior do que quando entramos”, enfatizou. A ges­tão que herdou R$ 727 mil deixou para o novo biênio mais de R$ 1,2 milhão.

Carlos Frederico Leão Rocha, 1º vice-presidente da diretoria anterior, com­pletou o balanço 2015-2017 com duras críticas à reitoria: “Nos últimos anos, perdemos capacidade de gestão, perde­mos coesão em nossas decisões”, disse. “É inconcebível que as contas não estejam online para que todos pudessem saber a origem e a direção dos gastos. A recorren­te prática de aprovação de orçamentos deficitários é danosa”, completou.

O professor destacou, ainda, a publi­cação das três revistas da associação, no período: a primeira, voltada para as cotas; a segunda, para o orçamento da universidade; a última, para os proble­mas do Hospital Universitário Clemen­tino Fraga Filho.

O que vem por aí

Nova presidente, Maria Lúcia Teixeira ressaltou a responsabilidade de repre­sentar um corpo social tão heterogêneo e plural. Para Maria Lúcia, a tarefa de diri­gente da Adufrj só pode ser desempenha­da com respeito à divergência de ideias: “Não se trata de impor ao conjunto de docentes decisões tomadas por poucos. Exige reflexão, discussão e participação crescente”, enfatizou. “Não somos ferrovi­ários. Sem nenhum demérito aos ferrovi­ários. Todos têm uma função importante na sociedade. Temos uma inserção no mundo, que é uma especificidade. Somos diferentes, porque transmitimos saberes diferentes”, completou.

Sede própria: Fazer a mudança da Adufrj está nos planos da nova diretoria – Foto: Fernando Souza

Em seguida, a nova presidente anun­ciou as primeiras medidas, como a con­vocação do Conselho de Representantes. A professora citou, ainda: uma reunião aberta para discutir os critérios de ava­liação da Capes; o início de novas cam­panhas; um debate sobre a política de extensão da UFRJ; e o acompanhamento das instâncias superiores da universida­de. A construção de uma sede própria é outra meta. “É muito grande a responsa­bilidade de dar sequência ao trabalho re­alizado pela diretoria que hoje nos passa o bastão”, afirmou.

Compareceram à assembleia de posse mais de cem professores, além de amigos, familiares, técnicos-administrativos e estudantes. A administração central da UFRJ foi representada pela vice-reitora Denise Nascimento; pela pró-reitora de Extensão, Maria Malta; e pelo pró-reitor de Graduação, Eduardo Serra.

Conselho será o “parlamento” da Adufrj

*Isabella de Oliveira e Marianne Menezes

“Deve ter um papel de parlamento”. Foi assim que a nova presidente da Adufrj, professora Maria Lúcia Teixeira definiu o Conselho de Repre­sentantes da entidade. “Vamos estimular estes representantes a trazerem as reivindicações, as demandas de seus representados, das unidades. Será um intermediário permanente”, acrescentou.

Durante a cerimônia do último dia 16, os novos integrantes do conselho também foram empossados, até outubro de 2019. Ao todo, são 55 representantes titulares e 35 suplentes de 27 unidades, além dos campi de Macaé e Xerém. “Nosso conse­lho está bem mais representativo”, destacou a professora Tatiana Roque, presidente do biênio 2015-2017.

Disposição para ajudar

Ouvidos pela reportagem, muitos conselheiros ressaltaram a conjuntura difícil que atravessa o ensino superior públi­co. Ao mesmo tempo, mostraram disposição para, aliados à diretoria e aos colegas de unidade, enfrentar todas as ameaças à universidade.

Confira, a seguir, alguns depoimentos dos conselhei­ros eleitos sobre as expectativas para os próximos dois anos:

“Lutar in­ternamente por melhores condições de trabalho e apoiar os professores que entraram sob novas leis na carreira”
ANA LÚCIA C. FERNANDES
Faculdade de Educação

“Precisamos mostrar a importância da universidade para que as lutas pela manu­tenção e fortalecimento do ensino público e gra­tuito ganhem apoio.”
MARTA CASTILHO
Instituto de Economia

“Eu espero que a minha atuação no conselho fortaleça uma gestão cada vez mais participativa.”
OLAVO AMARAL
Instituto de Bioquímica Médica

“Nosso desafio principal é resistir ao desmantelamento da universidade pública e da pesquisa brasileira.”
FERNANDO FRAGOSO
Escola de Comunicação

Encontro institucional: vice-reitora cumprimenta nova presidente do sindicato – Foto: Fernando Souza