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Angela Uller (foto: Planeta Coppe) e Cláudia Piccinini (Foto: Elisa Monteiro/Arquivo Adufrj)

Dois pontos de vista sobre a PEC 395

Angela Uller (Coppe) e Cláudia Piccinini (Faculdade de Educação) se posicionam sobre a possibilidade de cobrança de cursos de especialização, extensão e mestrado profissional nas universidades públicas

Elisa Monteiro e Silvana Sá

A Adufrj-SSind prepara-se para o primeiro debate da série “Sem Tabu”, criada pela nova diretoria da Seção Sindical. A atividade vai discutir a PEC 395, que prevê a possibilidade de cobrança, nas universidades públicas, para cursos de extensão, de especialização (lato sensu) e mestrados profissionais. Para contribuir com a preparação dos docentes para este encontro, as professoras Angela Uller (Coppe) e Cláudia Piccinini (Faculdade de Educação) foram ouvidas pela reportagem da Adufrj. Cada uma com um posicionamento diferenciado sobre o assunto.

Angela Uller, ex-diretora da Coppe e ex-pró-reitora de Pós-graduação e Pesquisa (PR2), avalia que há atividades desenvolvidas pela universidade que justificam a cobrança: “Sou favorável a que a universidade passe a cobrar. Não há razão para que recursos públicos sejam gastos para formação de funcionários de empresas que têm plenas condições de arcar com isso”. Ela faz a ressalva de que a cobrança não é obrigatória e que o projeto apenas objetiva criar a permissão para a cobrança: “É claro que uma atividade de interesse da sociedade em geral não precisa ser paga”, completa. Mas em relação ao mestrado profissional, a docente diz ser contra: “Há um mau entendimento de que [esta modalidade] teria menos peso, mas o mestrado profissional é stricto sensu como os demais”.

A professora Claudia Piccinini, que compõe o Colemarx (Coletivo de Estudos em Educação e Marxismo da UFRJ), é contrária à PEC 395: “Os trabalhadores já pagam pela educação pública. A cobrança em cursos lato sensu e outras modalidades de pós-graduação será uma sobretaxação para o fornecimento de serviços públicos. Direitos que estão na Constituição e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação estão sendo aviltados. E isso é ilegal”, disse. Para a docente, a taxação não resolve o problema de financiamento da universidade: “Os recursos cairão na conta única da União”, salienta. “A Faculdade de Educação possui dez cursos de especialização. Nossa concepção é que, independentemente da possibilidade de cobrança, nossos cursos não serão pagos. Nossos alunos não são ‘clientes’”, complementou.

Serviço

O debate contará com a presença dos professores: Cláudia Morgado (Fórum Nacional de Pós-graduação Lato Sensu), Gabrielle Paulanti de Melo Teixeira (Secretária Geral da Associação Nacional dos Pós-Graduandos – ANPG), Paulo Rizzo (Presidente do Andes-SN) e Vicente Ferreira (Diretor do Instituto Coppead de Administração). O evento ocorrerá no próximo dia 3 (terça-feira), às 11h, no Centro de Tecnologia (Bloco D, sala D220), no Fundão.

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