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Em meio à crise, mutirões de limpeza ganham força na UFRJ

Elisa Monteiro
elisamonteiro@adufrj.org.br

Mais de sessenta pessoas participaram de uma reunião nesta quarta-feira, 2, no Instituto de Química (IQ), para discutir a falta de pagamentos dos salários dos funcionários terceirizados da limpeza, contratados via empresa Venturelli. Professores, alunos e terceirizados compareceram.

A ideia de mutirão como protesto para chamar atenção para o problema prevaleceu mais uma vez. Na semana anterior um grupo de estudantes da Engenharia Civil limpou simbolicamente o corredor do bloco D do CT.

Um segundo mutirão foi programado pelo Centro Acadêmico do Instituto de Química (CAIQ) para a quinta-feira, 10, um dia depois da audiência pública convocada pela reitoria para discutir a crise.

O CAIQ, que está à frente de outras iniciativas como o recolhimento de donativos, pretende envolver outras unidades no protesto, como o Instituto de Matemática (IM) e o Instituto de Física (IF). O horário escolhido (às 11h e 30) para a atividade coincide com o do almoço dos funcionários.

A diretora do IQ, Cássia Curan, presente à reunião, destacou a importância da mobilização para enfrentar o problema. Ela relatou que a equipe de 20 funcionários de limpeza foi reduzida a cinco pessoas. “Eu não consigo nem saber quem foi e quem não foi demitido. As pró-reitorias dizem que as listagens estão com a empresa”, disse. “Antigamente, a gente ainda conseguia indicar quem entraria no corte ou não. Dessa vez foi totalmente aleatório”, queixou-se.

“Diárias”

12294803 402688796522281 5283852265002584715 nSem salários, tíquete-alimentação e vale-transporte há quatro meses, a parte do grupo que se mantém disponível à universidade se reveza a cada semana em grupos de cinco, trabalhando dois funcionários no turno manhã-tarde e três na tarde-noite.

Segundo o vice-diretor do IQ, Cláudio Motta, para assegurar a presença desses funcionários, professores decidiram fazer uma vaquinha para remunerá-los com uma espécie de diária. Cada docente entra com R$ 50.

“Para não interromper as aulas, ao menos até o fim do semestre, nós acatamos essa medida paliativa”, justificou Motta. “Mas para o ano que vem, será impossível manter essa situação. Teremos que ver como ficarão as coisas”, disse em seguida, citando a possibilidade de redução da oferta de vagas para estudantes no curso.

“Eu contribuí e apoiei (a iniciativa). Da mesma forma, os estudantes devem se conscientizar retirando seu lixo, dando descarga e o que mais puderem. Eu estou trazendo sabonete líquido e papel higiênico para o banheiro que uso. Sei que não resolve, que é um paliativo, mas se cada um fizer a sua parte, a gente consegue manter o mínimo até o fim do ano”, disse a docente Débora Azevedo.

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Na mesma linha, o aluno Igor Vieira defendeu que os professores fossem instruídos a pedir no início e final das aulas que os estudantes “levem seu lixo na mochila de volta para casa” para “minimizar o trabalho” dos funcionários.

O professor Rodrigo Volcan é de outro entendimento. “O fundamental é que o pagamento dessas pessoas seja realizado imediatamente. E pagar do próprio bolso é fazer o jogo de quem não quer resolver isso. É esconder o problema”, contestou.

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