Isabella de Oliveira

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A UFRJ sedia o II Seminário do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência Região Sudeste até amanhã (18). Para Joaquim Silva, professor do Instituto de Química e coordenador do Pibid na universidade, o evento tem dois objetivos. “Buscamos fazer um espaço de avaliação do programa e estabelecer uma plataforma de luta política pela sua permanência”, afirmou.

A declaração é uma resposta aos ataques que o governo federal tem feito ao Pibid ao longo de 2017. Em abril, o MEC editou uma portaria que desfigurava o programa. Após pressão da comunidade acadêmica, o ministério voltou atrás. Afirmou que um comitê técnico que acompanha o Pibid deverá examinar o programa até o final do ano e definir o planejamento para o ano que vem.

Desde outubro, o MEC anuncia uma proposta de “residência pedagógica”, sem entrar em detalhes: “O governo chama de ‘aperfeiçoamento” do Pibid, mas na verdade descaracteriza o programa”, disse Joaquim, pelo que foi informado até agora. Na avaliação do docente, que reclama da falta de diálogo com o ministério, o programa segue um modelo similar implementado em São Paulo, em 2014: “O licenciado era usado até para fazer faxina. É um retrocesso a tudo que foi conquistado”, lamentou.

Alternativa própria

Se o governo insistir na destruição do Pibid, Silva estuda meios de manter um programa interno à UFRJ de formação de professores. Chamado pelo professor de Programa Institucional de Iniciação à Docência (PIID), o projeto ainda está em fase preliminar. “A ideia seria implementar um programa de extensão interunidades vinculado às políticas de formação docente da universidade”, explicou.

A proposta, no entanto, não teria condições de fornecer bolsas, uma das principais dificuldades. “Estamos avaliando como envolver o professor da educação básica nesse processo, de forma justa, que não implique sobrecarga”, finalizou.

Elogios

Durante a Jornada do Pibid, docentes e bolsistas reforçaram as críticas às decisões do governo: “O Pibid é uma política ousada, que marcou a formação docente no país. Vamos viver o ensino docente nas eras antes e depois do Pibid”, afirmou a professora Silvia Contaldo, da PUC-MG, que participou do segundo dia de debates.

 

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