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Formação de professores da educação básica é interrompida

Formação de professores da educação básica é interrompida

Samantha Su
Estagiária e Redação

Os cursos de formação continuada para professores do ensino básico ofertados, desde 2011, pela Fundação Centro de Ciências e Educação Superior a Distância do Estado do Rio de Janeiro (Cecierj), foram interrompidos. Segundo carta aberta de bolsistas do programa, eles e muitos tutores não recebem desde junho deste ano e passaram a trabalhar voluntariamente até o encerramento dos módulos então em andamento. Depois, foram informados apenas de que não haveria continuidade das atividades: “São mais de 17 mil docentes da rede pública e mais de 280 da universidade participando. Não recebemos nenhuma justificativa para o fim do programa. A única alegação é a falta de verbas da Secretaria de Educação”, contou Cristiane Brasileiro, da Uerj, coordenadora do curso de Língua Portuguesa desde sua criação.

Segundo Cristiane, o programa apresentava uma crescente adesão de professores e um bom funcionamento: “Em três anos, o Rio de Janeiro pulou da penúltima para a quarta posição no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). Os cursos forneciam um apoio direto para o professor em sala de aula”, pontua. Brasileiro diz que os professores tutores e coordenadores do programa recebiam entre R$ 700 e R$ 1,3 mil, enquanto os bolsistas cadastrados ganhavam R$ 300 de auxílio.

De acordo com a carta dos bolsistas, “os profissionais responsáveis pelas formações têm tido sua situação financeira gravemente prejudicada em função dos atrasos, e os consequentes danos gerados aos cursos em si e aos cursistas atendidos estão atingindo níveis insuportáveis”.

Professora da UFRJ critica prejuízo à educação no Rio

“Os atrasos aconteciam desde o início de 2015, mas sempre eram regularizados”, informou a professora Gracilda Alves, da UFRJ, que coordenava o curso de História do programa de Formação Continuada do Fundamental e Médio e da Educação de Jovens e Adultos (EJA): “O maior prejuízo, a meu ver, é perder um projeto que estava consolidado.” Para ela, os cursos garantiam material didático rico e uma formação mais próxima: “O programa tinha uma função primordial. Abriu o diálogo das universidades com os professores regentes. O projeto era composto por diversas atividades, como conferências com especialistas, filmes, trabalhos e oficinas. Também me mantinha antenada com o ensino fundamental e médio. Fui professora da rede pública até me aposentar e o curso possibilitava pensar outras maneiras de lecionar o conteúdo”, declarou.

O curso era responsável também pela produção de material didático próprio, com uma equipe de formulação do conteúdo de composição mista dos professores regentes — desde recém-formados a profissionais com décadas de carreira, desde só graduados a doutores. Para cada tutor, as turmas eram formadas com uma média de 40 cursistas de todas as regiões do estado do Rio. “O projeto compreendia vários níveis de profissionais. As presenciais ocorriam a cada dois meses em um sábado e em diversos polos distribuídos por todo o estado. O curso ajudou também professores que estavam há décadas afastados da formação acadêmica a se atualizarem. Houve, ainda que não fosse o objetivo principal, uma inclusão digital também. Professores vinham falar com a equipe que tinham aprendido a utilizar diversas ferramentas no computador”, explica Gracilda.

Sem respostas do governo do estado

A Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro, quando procurada, informou que os atrasos nos pagamentos seriam de responsabilidade da Fundação Cecierj. A Fundação não respondeu até o fechamento desta matéria.

 

A Secretaria de Educação limitou-se a dizer que “há, no planejamento de ações da pasta, previsão de continuidade dessas formações”. Datas não foram apresentadas.