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Incêndio na reitoria completa um ano

Um ano após o incêndio que destruiu parte do oitavo andar do prédio da reitoria, a comunidade acadêmica não vê mudanças significativas no local. Paredes permanecem chamuscadas, andares inteiros continuam interditados, cursos estão sem casa.

Até o fatídico 3 de outubro do incidente, o edifício Jorge Moreira Machado abrigava a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, a Escola de Belas Artes, o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional, salas da administração, bibliotecas e o Museu D. João VI. Com o bloqueio dos andares superiores, 11 cursos ainda funcionam em salas improvisadas. A reitoria também se espalhou por outros espaços da universidade.

Com aproximadamente 2,8 mil estudantes, a direção da EBA precisou transferir disciplinas para o Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza, para o Centro de Tecnologia e para a Letras. A vice-diretora Madalena Grimaldi explica que o objetivo era manter alguma proximidade entre as turmas para a realização das atividades acadêmicas. Apesar disso, o segundo semestre de 2016 só acabou no início deste ano. “A EBA ficou muito esfacelada”, lamenta Grimaldi.

A professora aponta as dificuldades de mudança devido às especificidades do curso. Ela cita o laboratório de fotografia, que ficava no sexto andar. “Não é somente realocar para outra sala; ele depende de tanques, bancadas, equipamentos de revelação, etc”, explica.

O Museu D. João VI não atingido pelas chamas, mas sofre as consequências da interdição. Localizado no sétimo andar, apresenta cupins e mofo: “Caso houvesse um investimento na parte elétrica, poderíamos energizar o museu, com ventilação adequada para manter o acervo”, aponta Carlos Terra, diretor da EBA. Madalena completa: “Já foi sugerido retirar o acervo, mas para onde iríamos?”, questiona.

A reportagem não conseguiu falar com as direções da FAU e do IPPUR.

Reitoria responde

Com intervenções emergenciais na parte elétrica, o terceiro e o quarto pavimentos foram reabertos para aulas. Para a reforma, a UFRJ solicitou ao Ministério da Educação um montante de R$ 25,5 milhões, no ano passado. Mas afirma ter recebido apenas R$ 6,5 milhões. Por isso, “não foi possível iniciar a segunda etapa (da reparação), que inclui projetos e leiautes, reformas interiores e exteriores, e recuperação de casas de máquinas“, disse em nota.

A reitoria diz que estão em andamento as licitações de obras de reparo, reforma estrutural e alvenaria, reforma da rede elétrica e da rede hidrossanitária do prédio. A perspectiva é “investir, ainda este ano, cerca de R$ 3,5 milhões”. Não há previsão de novos recursos por parte do MEC.

Evento lembra incêndio

Para marcar o 3 de outubro, estudantes e professores realizaram eventos e manifestações artísticas durante a semana. Hannah Luz, estudante do curso de Gestão Pública para o Desenvolvimento Econômico e Social — vinculado, entre outras unidades, ao IPPUR —, participou do primeiro dia de atividades.

Original de Itaguaí (RJ), ela foi duplamente afetada por incêndios em instalações da UFRJ: Hannah também morava no bloco B do alojamento, que pegou fogo no início do mês de agosto. “A universidade vai fazer cem anos em 2018 e qual o legado que vamos deixar para os próximos cem?”, questiona.

As chamas começaram entre as salas 827 e 829, onde funcionava a Pró-Reitoria de Gestão e Governança (PR-6), como apontou um laudo do corpo de bombeiros liberado à época. O documento, no entanto, afirmava não ser possível apontar, “categoricamente”, a causa do acidente, devido à intensa destruição provocada.