Elisa Monteiro

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A paisagem do campus da Praia Vermelha vai ganhar novos “contêineres”. Um “prédio” de três pavimentos composto por módulos habitacionais será erguido no estacionamento central. As obras começaram em 15 de maio. A previsão de entrega é em 18 de agosto, início do segundo semestre letivo.

Serão, ao todo, 135 módulos: 50 foram herdados de um convênio com o Ministério da Justiça. De acordo com a Prefeitura Universitária, no local serão remontados outros 85 contêineres da UFRJ, atualmente concentrados na área dos campos de futebol.  O prefeito Paulo Mário Ripper disse que a obra busca “uma maior proximidade com as unidades acadêmicas”.

Ripper destaca que o cumprimento do cronograma independe dos problemas com o orçamento da universidade. “O financiamento da compra e da desmontagem e remontagem (dos módulos) é 100% do Ministério da Justiça”, afirma. O empreendimento estava previsto no acordo decessão do espaço do “campinho” para base de operações de segurança nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos do ano passado. O custo do projeto é de R$ 2,6 milhões.

Dança das cadeiras no campus dá em protesto

A construção causou a perda de 80 vagas e bagunçou a rotina do campus. Como solução emergencial, a Prefeitura demarcou outros pontos de estacionamento, dentre eles, a entrada da Escola de Comunicação (ECO). E reabriu o portão para a Avenida Venceslau Brás desde o dia 17.

A iniciativa foi mal recebida pela comunidade. Estudantes da ECO fizeram pinturas alternativas sobre as marcações com dizeres como “não há vagas”, em protesto. “A gente pintou para mostrar que o lugar já tinha utilidade”, justificou a estudante de Jornalismo, Fernanda Freitas. “É o único espaço de convivência que sobrou com essas obras no Palácio”, completou a colega de jornalismo Laís Rodrigues, em referência à reforma em andamento.

O Centro Acadêmico do curso reclama da falta de diálogo. “Ninguém avisou nada. Foi de repente”, critica Lucas Rocha. Outro integrante do CA, Leonardo Rocha, argumenta que, com o início da segunda etapa da obra, “mais interna”, os estudantes perderam acesso aos jardins, corredores e áreas afins. Dentro do Palácio, as poucas salas de aula ainda em funcionamento convivem com barulho, mofo e muita poeira.

Medo de violência

O problema de segurança também é apontado pelos alunos e pela direção da Unidade. De acordo com o chefe de gabinete da ECO, Luiz Fernando, o acesso pela Venceslau Brás próximo à Escola foi fechado em 2015, na crise de pagamentos aos terceirizados. Mas, depois, o isolamento foi mantido. “Sempre no verão havia arrastões nos pontos do ônibus”, explica Luiz Fernando. “Todo mundo corria para cá e havia furtos aqui dentro”. Já o estudante Marco Marinho (CA) cita recente roubos de equipamentos da Central de Produção Multimídia (CPM), bem próxima à entrada.

Acordo provisório

O prefeito Paulo Mário se defende, afirmando que o início da parte executiva da obra por parte do Ministério da Justiça pegou de surpresa a própria administração. “Como não está na nossa mão, não tínhamos como saber quando terminariam o projeto e quando começariam propriamente a quebrar”. Sobre o portão, informou que há negociação com a diretoria da ECO para antecipar o fechamento de 22h para 19h.

Com os estudantes, o acordo foi de devolução da área com o fim da obra, em agosto. E um espaço de socialização alternativo será feito na lateral do prédio, onde já funcionou um estacionamento. A promessa é de instalação de bancos e reforço na iluminação.

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