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Manifestações na chegada do papa: multidão ocupa Largo do Machado

Com Dilma e Cabral no Palácio Guanabara, manifestações

agitam o Rio de Janeiro na chegada do papa Francisco


Gastos excessivos na realização dos megaeventos, a falta de recursos para áreas sociais e as denúncias de violência policial deram a tônica dos protestos no dia 22

O ambiente de protestos que agita a cidade e o país se repetiu na tarde desta segunda-feira 22, no Largo do Machado, nas proximidades do Palácio Guanabara. Na sede do governo estadual, o Papa Francisco iniciava sua visita oficial ao Brasil para a Jornada Mundial da Juventude, recepcionado por Dilma Rouseff e Sérgio Cabral. A manifestação foi convocado pela CSP-Conlutas e teve apoio do Andes-SN e de outros sindicatos, de estudantes e organizações do movimento social.

“Este não é um ato contra religiões. Mas estamos aqui marcar a posição de que dinheiro público é para serviços públicos”, disse Julio Anselmo (DCE UFRJ) se dirigindo a uma concentração de peregrinos, reunidos na praça. O estudante fez referência à violência da PM na repressão aos protestos que “fez reacender a pauta pelo fim da Polícia Militar do estado”.

Os manifestantes insistiram no diálogo com os jovens que estão na cidade para o grande evento católico. A necessidade vital de investimentos na educação e na saúde, o combate ao desperdício com os megaeventos (fonte de corrupção), a injustiça das remoções de moradores pobres patrocinados pelo governo estadual – em operações muitas vezes financiadas pelo governo federal – deram conteúdo aos argumentos levados à praça pública pelos manifestantes.

Não há como se construir um país justo sem reforma agrária, foi dito no Largo do Machado. Sem liberdade para a livre manifestação e com homofobia não se tem sociedade solidária, eram sentimentos traduzidos no protesto.

Megaevento

Na avaliação de Viviane Narvaes, professora da Unirio, a atividade foi importante para manter a pauta em defesa da Educação e Saúde públicas na agenda da cidade. “Apesar de ser um evento religioso, o que se percebe que é que (a jornada) está seguindo a mesma linha dos demais megaeventos” criticou Viviane.

Pelo Andes-RJ, Sonia Lucio relatou que o Conselho do Andes-SN (Conad) – realizado na semana que passou em Santa Maria (RS) reafirmou a denúncia com os gastos excessivos na realização dos megaeventos e a falta de recursos para áreas sociais como a educação e a saúde.

Sérgio Ribeiro da executiva estadual da CSP-Conlutas destacou a vitória das mobilizações cariocas que derrubaram o aumento das passagens de ônibus no mês último. Segundo ele, o protagonismo da juventude rapidamente foi partilhado por entidades e movimentos de trabalhadores.

O dirigente destacou a pauta sindical nacional que vai da redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas, até mais recursos para Educação e Saúde, passando pelo posicionamento contrário às privatizações e nova rodada de leilões do petróleo. A nova data para paralisação nacional em 30 de julho foi destacada como passo importante “rumo a greve geral”.

Movimentos sociais como indígenas e Sem-Terras se somaram à mobilização. “O MST está na rua contra as privatizações e por água e energia para os trabalhadores”, disse Marcelo Durão. O representante do MST do Rio destacou que as mobilizações são sintomas de esgotamento do modelo pouco participativo: “Está na hora de rediscutir o sentido da política, que não se resume a entrada e saída de político”, disse.

Vera Nepomuceno, do sindicato dos profissionais da educação no Rio (Sepe), destacou o desaparecimento do morador da Rocinha Amarildo, no dia 14 de julho após abordagem de policiais da UPP. Fez parte das intervenções ainda, a crítica ao polêmico estatuto do nascituro, apelidado como bolsa estupro, o reconhecimento do casamento gay e a legalização do aborto.

Beijaço

Além dos participantes da Jornada Mundial da Juventude, os sindicalistas dividiram a praça com ativistas de movimentos LGTT que se concentram no Largo do Machado, preparando cartazes e outros materiais, para um “beijaço” em frente ao Palácio Guanabara.

Claudia Machado, professora do Estado (Faetec) e Mestranda da UFRJ, explicou a proposta da atividade: “Vamos usar o beijo que é um carinho e amor porque muitas pessoas acham que é uma forma de agressão”. Segundo Claudia, o ato critica a forma como a Igreja intervém no corpo das mulheres: “seja na questão da proibição do aborto seja na questão de afetividade e sexualidade LGBTT”.