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Manifesto pró-Ebserh gera críticas

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Nenhum representante da maior categoria dentro dos HUs, a dos enfermeiros, assina o documento

Texto oriundo do CCS faz de conta que não há alternativa à empresa

Divulgado ao Consuni, o manifesto de alguns professores Titulares, Eméritos, Dr. Honoris Causa e diretores de Unidades do Centro de Ciências da Saúde, pró-Ebserh, causou revolta na reunião do último dia 22. Entre alguns argumentos, os signatários enfatizam “que a área da saúde da UFRJ não pode ser sacrificada em decorrência de um combate frontal entre partidos políticos e o governo”.
Diana Maul, representante dos Associados do CCS no colegiado, criticou: “A manifestação é legítima, mas o respeito é fundamental”, disse. “O início das negociações sobre um possível contrato foi aprovado não pelo colegiado do CCS, mas pelo Conselho Universitário. Não houve atropelos e até hoje aguardamos que a empresa cumpra a sua parte e mande as informações de pelo menos quatro hospitais (abrangidos pelo contrato)”. Diana recomendou a leitura de todos os documentos disponíveis e menos acusações para que o Consuni não acabe votando “qualquer coisa”.

Nilson Barbosa, representante dos técnico-administrativos no Consuni, afirmou que o atual processo de discussão em torno dos problemas dos HUs e da Ebserh é uma conquista dos movimentos organizados da universidade: “Esse processo foi conquistado com a participação da comunidade da UFRJ. Antes, a Ebserh era colocada como única solução. Agora, existem propostas alternativas. Dizer que quem é contra a Ebserh é contra o governo ou que o recorte é meramente político… Eu sinceramente esperava mais”.
Juliana Caetano, da Associação dos Pós-graduandos, também comentou o documento: “Às vezes ficamos na dúvida se certas afirmações apelativas são feitas por perversidade ou por ingenuidade”, observou, referindo-se a trecho que considera a Ebserh como a “única alternativa politicamente viável e juridicamente possível”. Ainda sobre o texto, a pós-graduanda afirma que há “um completo desconhecimento sobre autonomia universitária”: “Autonomia é justamente não entregar para o MEC ou para quem quer que seja a nossa gestão, a nossa política, sobretudo de ensino”.

A estudante Gabriela Celestino, da bancada discente, observou o fato de o documento assinado pelos docentes do CCS não ter sido apoiado por nenhum professor da Escola de Enfermagem Anna Nery: “Fico muito feliz porque ninguém da Enfermagem assinou esse manifesto vergonhoso em apoio à Ebserh. Os enfermeiros hoje são a maior categoria dentro do HU. Faço um apelo de que ouçam a voz da maioria”. 
 
“Não precisamos da Ebserh”
Resultado do trabalho de vários docentes, técnico-administrativos e estudantes, a “Proposta de Modelo de Gestão para o Fortalecimento dos Hospitais Universitários” passa uma mensagem clara: a UFRJ não precisa da Ebserh.  O documento, disponível em encarte especial desta edição, será formalmente apresentado em sessão extraordinária do Consuni neste dia 29.
 
O material está estruturado em três seções: na primeira, a especificidade dos HUs e as armadilhas do contrato da UFRJ com a Ebserh, além da proposta de aceitação da reitoria; na segunda, há uma avaliação geral do modelo gerencial da empresa e da proposta alternativa de consolidação do Complexo Hospitalar da universidade. Na terceira seção é realizado um diagnóstico preliminar sucinto das condições de recursos humanos e financeiras do Complexo, já com alguns indicativos de desdobramentos recomendados.