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Marcha pela Ciência criticou cortes em C&T

Cariocas não gostam de dias nublados. Mas, quando o assunto é sério como o orçamento da Educação e das pesquisas, encaram até uma forte chuva como a que caiu durante a terceira edição da Marcha pela Ciência, sábado (11), na Praça Mauá. A programação foi garantida com disposição e bom humor pela comunidade acadêmica. “Houve o contratempo do tempo, mas, também, um número maior de entidades envolvidas desde a organização do evento. O que é muito positivo”, avaliou Lígia Bahia, vice-presidente da Adufrj.

“Agora é centrar fogo na pressão sobre parlamentares que discutem as leis orçamentárias para 2018”, argumentou a professora. O presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), professor Ildeu Moreira, reforçou a estratégia: “Toda a atenção no Congresso Nacional e na Assembleia Legislativa, para que possamos evitar cortes tão dramáticos como os previstos”. O representante da SBPC destacou que a Marcha também foi realizada em outras cidades na mesma data.

Material de campanha contra os cortes e em defesa do Conhecimento foi distribuído ao público. E a Cyclophonica, uma orquestra em cima de bicicletas animada pelo professor Leonardo Fuks, da Escola de Música, não deixou ninguém dispersar. “Ciência não é só Astronomia”, destacou: “Trabalho na Música diretamente com acústica”.

Na opinião do docente da UFRJ, “fazer arte e ciência hoje virou palavrão”. “O artista já era visto por parte da sociedade como alguém fora da realidade. Agora, o cientista também passa a ser questionado por teorias anticientíficas”, analisou.

“A extinção do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação foi o maior desastre no país nos últimos anos”, afirmou Luiz Antônio Elias, economista e ex-secretário do MCTI, em referência à fusão feita com a pasta das Comunicações, no governo Temer. “A consequência foi a desarticulação de redes e a perda orçamentária. Comunicação e Ciência são atores distintos”, justificou, em seguida.

Mais amplo
Alguns cartazes chamaram mais atenção que outros. Foi o caso dos dizeres apresentados pela dupla de pós-graduandas da Engenharia Química da Uerj: “Ciência, não silêncio”. “O corte de verbas é uma forma de silenciar a pesquisa”, explicou Isadora Pereira. “E não vamos nos calar frente ao que está acontecendo”, completou Alene Dutra. O casal Jaime Oliveira e Caroline Oka compareceu pela segunda vez à Marcha. Ele é pesquisador do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) e ela, médica do município. “Tivemos um bom investimento em equipamentos nos últimos anos. Mas agora não conseguimos nem mesmo fazer a manutenção”, conta o físico. “A situação é a mesma na saúde. Grande parte das Clínicas da Família está parada por falta de recursos”, relatou Caroline.

Sofia Voloch compareceu, mesmo sendo das Letras, à convocatória pela ciência brasileira na internet. “Faço um site com colegas contra as fake news e a questão da Ciência é muito importante nessa área”.

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