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Marcha reúne comunidade acadêmica contra cortes

O cortejo da Ciência e da Educação transformou a rotina da Praça Mauá, no primeiro sábado de setembro. Professores, técnicos e estudantes levaram experimentos científicos, roda de samba, faixas e cartazes a um dos pontos mais visitados da cidade. O objetivo era dialogar com a população sobre os drásticos cortes no orçamento do ensino superior e da pesquisa do país.

A atividade representou a etapa carioca da segunda edição da Marcha pela Ciência, em várias cidades do mundo — a primeira ocorreu em abril —, em defesa do conhecimento científico. A presidente da Adufrj, Tatiana Roque, deu as boas vindas ao público e alertou: “As universidades, em setembro, já não têm orçamento para fechar as contas. E para 2018, o cenário de cortes é ainda mais devastador”.

A professora Daisy Maria Luz, do Instituto de Física da UFF, apresentou um pouco do trabalho realizado pela Casa da Descoberta, unidade de divulgação científica daquela universidade. A atração, com equipamentos de robótica, foi uma das mais concorridas da tarde. “É fundamental cutucar a população contra a apatia. Não podemos entregar o patrimônio científico que conquistamos nos últimos anos”.

O grupo de samba de raiz Moça Prosa embalou o público durante a manifestação. “Como sempre, a vertente carioca da ciência soube conciliar muito bem temas políticos com a cultura para comunicar à população”, avaliou o antropólogo Otávio Velho, professor emérito do Museu Nacional.

Ildeu Moreira, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, deu ênfase aos cortes previstos para 2018. “O orçamento anunciado pelo governo significa uma perda de 30% para a Capes”, alertou. “E para o CNPq só há previsão de recursos para pagamento de bolsas até o meio do ano”.

Por sua vez, o diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa, Jerson Lima, reforçou o papel da mobilização para reverter o cenário: “São 250 mil alunos na pós-graduação hoje. Isso é um exército. Essa juventude precisa ir à luta”.

O pró-reitor de Pós-Graduação e Pesquisa da Uerj, Egberto Gaspar de Moura, também se uniu às saudações: “Nós, da Uerj, somos vanguarda nas cotas e no ensino noturno”, afirmou o docente.  “É errado dizer que a Uerj foi desmontada. Com todas as adversidades, estamos vivos e seguimos produzindo com excelência”.

Confira fotogaleria do evento em: https://goo.gl/WqrJi3 [1]