Maria Lúcia: gestão estará mais inserida na UFRJ - Foto: Fernando Souza

Ana Beatriz Magno

anabiamagno@adufrj.org.br

*e Kelvin Melo

Ela quer terminar o mandato menos magra e mais jovem. Aos 74 anos, Maria Lúcia Teixeira Werneck Vianna não tem medo de desafios. Professora apo­sentada do Instituto de Economia, decana do Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas de 2010 a 2014 e uma das maiores especialistas em previdência social do Brasil, ela acaba de assumir a presidência da Adufrj, em um dos momentos mais ameaçadores para a universidade pública brasileira. “Serão tempos bicudos, mas seremos mais bicudos que o tempo”, promete.

O combustível da motivação, explica a professora, é a vontade de continuar fazendo política dentro da universidade. Um traço em comum com o irmão Aloisio Teixeira, falecido em 2012, ex-reitor da UFRJ entre 2003 e 2011. Maria Lúcia lembra que Aloisio lhe contou que queria ser presidente da Adufrj após sair da administração central. “Ele não conseguiu satisfazer esse desejo. Faço por ele”.

Nesta entrevista, a professora também critica a postura da atual reitoria da UFRJ e apresenta um pouco dos planos da gestão que se inicia.

Qual será a marca desta diretoria?
Será uma gestão mais inserida na uni­versidade. O que não quer dizer que a gente não vai se abrir para fora. Parti­ciparemos mais do Consuni, acompa­nharemos os colegiados superiores da universidade, a Comissão Permanente de Pessoal Docente e a Comissão Temporária de Alocação de Vagas.

Que leitura pode ser feita da vitória das chapas que não receberam apoio da reitoria, na Adufrj e no Sintufrj?
O recado mais geral à reitoria é que estão fazendo a política errada. A tese do “quanto pior, melhor” é extrema­mente equivocada. Para avançar na resistência ao obscurantismo, exige-se de nós uma política mais propositiva e menos negativa.

Já existe uma primeira ação da nova diretoria?
Sair da CSP-Conlutas. Porque ninguém é da CSP-Conlutas. É uma central muito isolada, muito esvaziada. O professor da UFRJ não perde nada. Gastamos R$ 180 mil anuais com esse repasse.

O que vai ser feito com esse dinheiro?
Temos um sonho que é ter uma sede pró­pria. Estamos discutindo se é convenien­te fazer dentro do campus ou não. Eu, particularmente, gostaria que fosse na Cidade Universitária. O problema são os índices de violência. As pessoas não estão conseguindo ficar à noite no Fundão.

A Adufrj vai se inserir no debate das eleições de 2018?
Estamos planejando formular uma carta da universidade para garantir dos can­didatos algum compromisso em termos orçamentários e pôr fim às perseguições que a universidade tem sofrido por irregularidades absolutamente ininte­ligíveis. Ninguém enriqueceu por aí.

Como atrair mais professores ao sindicato?
Podemos pensar numa redução da contribuição dos mais jovens. Para os mais antigos, vamos nos apresen­tar. Eles nos conhecem. Com uma sede, poderíamos fazer eventos com os aposentados. Também estamos começando a fazer uma espécie de demografia dos professores da UFRJ. Queremos conhecer mais a fundo este universo que vamos representar. Até para traçar estratégias de filiação.

A extensão universitária precisa ser rediscutida?
Sim. Há muitas mudanças em curso e os professores precisam ser ouvidos. Hoje, fazer trabalho social na Maré é extensão, mas dar uma palestra numa entidade científica, não. O intercâmbio com a sociedade não é só com a Maré. É com as escolas, com as empresas.

Por que assumir esta função na Adufrj?
Tem a ver com essa vocação de fazer po­lítica na universidade. Uma coisa que eu nunca falei é que o Aloisio, quando saiu da reitoria, disse: “Agora eu quero ser o presidente da Adufrj”. Ele queria ficar na universidade, atuando. Ele não conse­guiu satisfazer esse desejo. Faço por ele.

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