Marianne Menezes

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Martinho da Vila recebeu, dia 31, na Faculdade de Letras, o título de doutor honoris causa da Universidade Federal do Rio de Janeiro. “Hoje, pra mim, é um dia de graça. Mas ninguém aqui precisa me chamar de dotô”, brincou o cantor, quebrando a formalidade da cerimônia.

A homenagem a Martinho começou no Departamento de Letras Vernáculas. O documento aprovado, este ano, pelo Conselho Universitário afirma que o cantor se tornou “um mediador entre a cultura popular e a erudita, por suas qualidades biculturais de mestre popular e de ídolo da indústria cultural, o que potencializou sua atuação na promoção da cultura popular e na militância contra o racismo na sociedade brasileira”.

A solenidade levou três horas. Foram mais de 200 pessoas reunidas em dois auditórios lotados, um deles com telão transmitindo a atividade do outro. “A UFRJ tem auditórios maiores e com uma infraestrutura melhor, mas Martinho quis fazer esse evento aqui, porque foi da Letras que partiu a ideia de homenageá-lo”, contou a diretora da unidade, Eleonora Ziller.

Em seu rápido discurso, Martinho relembrou a origem. “Meu pai, José Ferreira, e minha mãe, Maria Teresa, foram lavradores. A UFRJ concedeu um título de doutor ao filho dos lavradores. Isso mostra como essa instituição atua contra o preconceito.” Sentada à primeira fileira, os olhos de Dona Elza, irmã mais velha de Martinho, lacrimejavam com a lembrança dos pais. Para ela, “viver aquele momento com o irmão era a maior alegria”.

O reitor Roberto Leher presidiu a sessão: “Estamos em uma Universidade de alta cultura celebrando a alta cultura de Martinho da Vila. Ter entre nós um intelectual negro é importante para a afirmação de jovens negros, de baixa renda, que, agora, com as cotas, têm acesso ao ensino superior”, afirmou. “Os jovens podem ver que, assim como Martinho, é possível vencer a sociedade preconceituosa e ser uma referência nas artes, na música, na literatura”, completou.

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