Elisa Monteiro

elisamonteiro@adufrj.org.br

*colaborou Silvana Sá

A próxima distribuição de concursos para professores promete uma intensa disputa nas reuniões da Comissão Temporária de Alocação de Vagas (COTAV). A pró-reitoria de Pessoal disponibilizou 150 vagas, 90 a menos do que as 240 abertas na última edição, em 2013. São menos vagas e muito mais demanda.

Levantamento realizado pela professora Cláudia Morgado, da Politécnica e conselheira no Consuni, mostra que ocorreram 395 vacâncias entre 2013 e 2017, incluindo aposentadorias, falecimentos e exonerações. Roberto Medronho, diretor da Medicina, calcula que perdeu 88 docentes nos últimos quatro anos e precisa substituí-los.

Questionado no último Consuni sobre a redução das vagas, o pró-reitor de Pessoal, Agnaldo Fernandes, respondeu que os concursos realizados de 2013 para cá absorveram parte deste quantitativo. Ele afirmou, no entanto, que não tinha o levantamento com o número de concursos realizados.

Cláudia Morgado discordou: “Não existe concurso sem COTAV. Os concursos feitos diziam respeito à COTAV 2013”. Para ela, a UFRJ deveria retomar o fluxo de contratações, que, até 2009, ocorria anualmente com alocação na ordem de 100 vagas. “E estamos há quatro anos sem realizar uma COTAV”. A professora completou: “Alocação restrita ou acumulada é danosa para a UFRJ”.

Segundo levantamento da direção da Matemática, desde a última Cotav, foram perdidos 25 docentes, entre aposentadorias e falecimentos. Hoje, são 158 professores para atender a disciplinas básicas do próprio curso e de outras unidades. No Direito, a demanda é de 13 professores.

Na Medicina, que atende também aos cursos de Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional, foram 88 professores a menos no mesmo período. De acordo com o diretor Roberto Medronho, “na década de 1980, eram 650 professores atendendo a um único curso. Em 2017, são 403 docentes para os quatro cursos”.

Medronho chama atenção para o fato de que o corpo docente da unidade está com uma média de idade “bem acima dos 50 anos”. E adverte, inclusive, que “muitos já estão em abono permanência (trabalhando, mesmo habilitados para aposentar)”. “Com essas reformas anunciadas, podemos nos ver a qualquer momento em uma situação crítica”, observa.

Para o docente, é muito negativa ainda a distância entre o tempo das aposentadorias em relação às reposições: “Antes, conseguíamos fazer uma transição geracional com mais covivência entre o professor novo e os com mais tempo de casa e experiência. Agora fica um buraco enorme entre as aposentadorias e os concursos”.

Parâmetros causam questionamentos

Além do número reduzido, os parâmetros para a distribuição também provocam questionamentos. O foco da crítica está no critério de número de matrículas discentes, tomando como base o ano passado: “O segundo semestre de 2016 foi completamente atípico. O Conselho de Ensino e Graduação liberou para os alunos o trancamento até quatro meses depois do início do período. Muitos trancaram, depois de obterem notas ruins nas primeiras provas”, comentou a diretora do Instituto de Matemática, Walcy Santos.

Trancamento reduziu concluintes à metade

A distorção ficou explícita no caso da unidade: das 14.323 matrículas de alunos externos que fazem disciplinas na Matemática, apenas 7.624 chegaram ao fim do ano passado.  Para uma comparação, no ano anterior, a relação foi de 14.538 inscritos para 12.195 concluintes. Sintomático também foi o inchaço nas aprovações: “Em média, nossa reprovação gira em torno dos 30%. Mas 2016/2 foi um semestre praticamente sem reprovações”, sublinha a professora.

A pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa (PR-2), Leila Rodrigues, argumenta que a proposta de mudança do critério de matrículas em disciplina “chegou a ser discutida em duas instâncias, numa Câmara Mista dos dois colegiados e na reunião conjunta entre CEG e CEPG”, mas não foi absorvida. A pró-reitora enfatizou que colegiados são “instâncias autônomas”, sem ingerência da reitoria.

Atropelos

Problemas com transparência no processo também foram apontados. Em primeiro lugar, os prazos exíguos: “A princípio, recebemos algo como 15 dias para enviar as planilhas. Como era inviável, houve uma prorrogação de algo como mais dez dias”, conta a diretora da Matemática “A entrega era para final de julho, período de férias”, acrescentou.

A diretora disse ainda que buscou informações sobre a situação de outras unidades com o mesmo porte que a Matemática, mas não teve sucesso. “Antes conseguíamos ver pelo SIGA, mas, por alguma razão, não é mais possível visualizar pelo sistema”.

Para a dirigente, o número reduzido de vagas somado ao atropelo sacrificou o planejamento institucional: “Quem pensa no futuro, quem planeja um desenvolvimento institucional para sua unidade, além das expansões universitárias provocadas, nunca tem chance”, opina. Ela afirmou que, se o critério para Cotav for mantido como está, “com certeza vamos recorrer”.

Avaliação da Adufrj

“A contratação de docentes é a decisão mais importante de uma universidade”, pondera o vice-presidente da Adufrj, professor Carlos Frederico Rocha.“Os recursos empreendidos e a irreversibilidade do movimento definem o futuro institucional”, completa, ressaltando que a falta de informação gera desconfiança. “Para onde foram as vagas da Cotav anterior e que critérios foram usados?”

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