Estudantes recebem doações de CAs e Unidades acadêmicas. Crédito: Elisa Monteiro

Isabella de Oliveira

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Estudantes recebem doações de CAs e Unidades acadêmicas. Crédito: Elisa Monteiro

Pedro Alvarenga, estudante da História da Arte, viveu uma experiência terrível na madrugada da última quarta-feira. Morador do alojamento da UFRJ, ele foi acordado por gritos que vinham de fora do seu quarto. “Achei que era uma briga. Quando vi, estava tudo cheio de fumaça”, diz. Era o começo do incêndio que atingiu o bloco B, hoje interditado pela Defesa Civil. “Só consegui puxar minha mochila e sair correndo.”

Já fora do prédio, após as chamas serem contidas, o jovem ainda tinha esperança de resgatar alguns de seus pertences. “Mas os bombeiros me informaram que tudo foi queimado”, disse. Entre as perdas, o que Pedro mais lamentou foram as dezenas de livros acumulados em duas graduações.

Natural de Divinópolis (MG), Pedro veio ao Rio para estudar. A UFRJ é a segunda universidade do jovem. Antes, foi bolsista da PUC, mas saiu pelas dificuldades de se manter no curso de Cinema.

Indignação

Pedro participou, na manhã seguinte, de uma reunião com a reitoria. No encontro, os moradores estavam indignados e muitos caracterizaram o incêndio como “tragédia anunciada”, em função das precárias condições do bloco, ainda não reformado.

“A reitoria faz o possível, dentro das limitações orçamentárias”, respondeu o reitor Roberto Leher.

Os residentes também manifestaram preocupação com possíveis prejuízos acadêmicos. O pró-reitor de Graduação, Eduardo Serra, assegurou que medidas serão tomadas para minimizar os danos. “Especialmente para os alunos da Escola de Belas Artes e da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, que ainda estão em 2017.1, vamos trabalhar para ter prazos especiais, trancamento, segunda chamada”, disse.

Apoios externos

Em nota, a UFRJ informou que tanto a prefeitura do Rio quanto o Ministério da Educação ofereceram apoio à universidade. De acordo com o texto, o prefeito Marcelo Crivella “sinalizou que a Secretaria Municipal de Urbanismo, Infraestrutura e Habitação poderá apresentar soluções concretas e emergenciais para a UFRJ, tais como opções de moradia aos alunos.”

Doações em alta

O dia seguinte ao incêndio estudantil foi marcado pela chegada de doações à portaria da residência. O movimento é impulsionado por centros acadêmicos, com abastecimento de roupas, cobertas e toalhas. Também será aberto um posto no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho para recolhimento dos produtos de higiene e demais objetos necessários.

Parte dos estudantes migrou para as instalações emergenciais montadas na Escola de Educação Física e Desportos. Mas a maioria permanece no prédio acidentado. Os alunos têm assembleias marcadas para a tarde e à noite.

*colaborou Elisa Monteiro

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