Elisa Monteiro

elisamonteiro@adufrj.org.br

A escola de samba Imperatriz Leopoldinense levará para a Avenida Marquês de Sapucaí a história do Museu Nacional, ligado à UFRJ desde 1946. “O Museu não poderia comemorar de forma mais bela seu bicentenário”, celebrou a diretora Cláudia Carvalho, durante uma cerimônia realizada dia 6 que reuniu componentes da agremiação e a comunidade acadêmica. O evento abriu as festividades pelos 200 anos da unidade, em 2018.

 

A imperatriz Maria Leopoldina (1797-1826), que se casou com D. Pedro I em 1817, é a inspiração do enredo. “Ela, que habitou este Palácio, também dá nome à nossa escola”, explicou o carnavalesco Cahê Rodrigues. “É nosso gancho para roteirizar um carnaval poético e emocionante”. Segundo o artista, a escola pretende “resgatar o tesouro que é o patrimônio do Museu Nacional” por meio da protagonista.

O carnavalesco Cahê Rodrigues; a diretora Cláudia Rodrigues e a professora Regina Dantas

A sinopse do enredo será oficialmente apresentada aos compositores na quadra da Imperatriz, no dia 12. “A partir de agora o barracão começa a preparar as alegorias”, anunciou o carnavalesco. Cahê Rodrigues disse que “não dá para adiantar detalhes, mas com certeza toda a magia da ciência do Museu estará presente nos efeitos do desfile”.

“A Leopoldina não era uma mulher comum para o Brasil do século XIX”, complementa Regina Dantas, historiadora da UFRJ que assessora a pesquisa do enredo. “O laboratório de mineralogia que ela traz para o país aos 13 anos e seu interesse pela botânica foram fundamentais para a criação do Museu Real, que dá origem ao Museu Nacional”.

Nos próximos meses, uma equipe da unidade estará empenhada em palestras e visitas guiadas voltadas para a comunidade de Ramos, onde fica a escola de samba. “Vamos a escolas municipais da região e trabalhar com todos, dos compositores às costureiras. A ideia é que possam sentir o Museu ao máximo”, contou Regina.

Lado a lado, agora os banners de 200 anos do Museu e do enredo “Uma noite real no Museu Nacional” da escola de Samba Imperatriz agora recepcionam o público na entrada principal do Palácio. E a comunidade já se planeja para desfilar: “Eu quero!”, brinca a diretora Cláudia.

Visibilidade internacional

Até então pró-reitor de Gestão e Governança, Ivan Carmo falou, na cerimônia, sobre a “visibilidade internacional” da universidade no carnaval 2018. “A Escola de Belas Artes também será destaque na São Clemente”. “A despeito das dificuldades, celebrações como essa dão provas de que a UFRJ tem muito a comemorar”, disse.

À reportagem, a diretora Cláudia Carvalho falou do desejo de que as comemorações pelo centenário também se revertam em investimentos para infraestrutura há muito esperados pela comunidade. “Nossa expectativa é que haja uma recuperação do Palácio para que possamos atender mais dignamente o público”, disse. “Temos muitas obras aguardando acondicionamento adequado”, destacou.

Patrimônio único

Apesar das restrições financeiras, o Museu está em plena expansão. Um exemplo está na aquisição e agora abertura ao público do acervo da exposição permanente “No tempo em que o Brasil era mar: o mundo há 400 milhões de anos”, com enfoque em fósseis que datam entre 420 milhões e 360 milhões de anos atrás.

“Nesse período, aproximadamente 50% do território brasileiro estavam debaixo de grandes mares rasos”, explicou o curador Sandro Marcelo Scheffler, professor do Departamento de Geologia e Paleontologia. “Recriar esses ambientes nos ajudam a vislumbrar a vida marinha daquele momento até hoje”.

Paleontólogo e mestrando da Uerj, Rodrigo Figueroa aprovou a exposição. “As amostras são muito diversificadas e as reproduções de ambientes, muito boas”. Ele destaca ainda o significado da repatriação do acervo, que havia sido levado por um pesquisador norte-americano: “Atualmente a venda de fósseis é proibida, mas, na época em que foi levada para os EUA, não era”, destaca. “É importante a volta deste material de pesquisa para o país”.

 

 

Logo comemorativa vem da EBA

Lisandra Rodriguez apresenta a logomarca vencedora

Lisandra Rodriguez Pereira, estudante de Desenho Industrial da Escola de Belas Artes (EBA) foi a vencedora do concurso para a logomarca comemorativa de 200 anos do Museu Nacional. A estudante concorreu com outros 21 trabalhos inscritos.

A peça valoriza a arquitetura, símbolo do Palácio, agregando as iniciais do Museu Nacional. “A ideia foi atualizar a marca original, simplificando o símbolo de forma minimalista e de acordo com as tendências atuais”. O prêmio foi concedido pela associação “Amigos d’O Museu” que apoia a instituição há 80 anos. Na ocasião, os “Amigos d’O Museu” lançaram, ainda, um livreto e exposição comemorativos.

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