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NA UFRJ, CANDIDATOS À PREFEITURA NACIONALIZAM DEBATE

A disputa é municipal, mas as propostas do governo Temer para alterar o regime fiscal do país mobilizaram um debate entre candidatos à prefeitura do Rio. O confronto de ideias, que durou pouco menos de duas horas, atraiu grande público aos pilotis do prédio da reitoria, nesta segunda (26).

O encontro foi organizado pelo Diretório Central dos Estudantes Mário Prata. Logo no primeiro bloco da atividade, os representantes dos alunos cobraram dos políticos um posicionamento quanto à Proposta de Emenda à Constituição 241 — que congela os gastos públicos por 20 anos — e quanto ao Projeto de Lei Complementar 257 — que impõe prejuízos ao funcionalismo, na renegociação da dívida dos estados. Apesar de se tratar de uma eleição municipal, eles observaram que estas matérias afetam a cidade e a universidade.

“Isso significa, na prática, congelar a desigualdade social; você está dizendo que está bom do jeito que está. Para mim, não está bom. Como prefeito, quero enfrentar esta agenda. Enquanto estiver no parlamento, vou lutar contra esses projetos”, disse Alessandro Molon (Rede), que é deputado federal.

Marilia Macedo (PSTU), vice de Cyro Garcia, também criticou as propostas: “O papel do PSTU nestas eleições é apresentar um programa que enfrente essas políticas e o ajuste fiscal que o governo Temer quer jogar nas costas dos trabalhadores. O projeto 257 ataca diretamente o serviço público”, afirmou.

Carmen Migueles (Novo) não respondeu à pergunta. Limitou-se a dizer que a população brasileira paga muito imposto e que o Estado está inchado. “O cidadão comum é o melhor indivíduo para tomar decisões sobre sua renda”, disse. “Nós queremos transparência nas contas públicas e um Estado eficiente”

Marcelo Freixo (PSOL) classificou a PEC 241 como uma “tragédia”: “A agenda neoliberal desse golpe é perversa. No que diz respeito à desvinculação das receitas da saúde e da educação, isso tem efeito cascata, que chega aos estados e municípios. Você não terá o mínimo para gastar. O que é uma tragédia. Pois, com esse mínimo hoje, já vivemos um caos na Saúde e na Educação públicas.

Edson Santos (PT), vice de Jandira Feghali (PCdoB), elogiou a iniciativa do DCE de chamar o debate entre os candidatos à prefeitura, tendo como referência a conjuntura nacional: “Uma conjuntura de retrocesso nos direitos dos trabalhadores, dos direitos do nosso povo e da nossa juventude”, falou a respeito da agenda do governo Temer.

Carlos Osório (PSDB), por sua vez, preferiu atacar o governo anterior: “O Brasil quebrou por uma política de permanência no poder implementada pelo Partido dos Trabalhadores. Estamos nesta situação, em grande parte, por um estelionato eleitoral cometido há dois anos pela (ex-presidente) Dilma Rousseff e pelo (marqueteiro) João Santana”.

Marcelo Crivella (PRB), Pedro Paulo (PMDB) e Flávio Bolsonaro (PSC) não apareceram e não enviaram representantes.

Debate garantido por liminar

O DCE Mário Prata só garantiu a realização do debate desta segunda (26) por liminar. A primeira tentativa de fazer o encontro entre os candidatos, no último dia 13, esbarrou em uma decisão da Justiça Eleitoral, que proíbe campanha em instituições públicas. 

Fotos: Tatiana Lima

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