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Obra do novo alojamento frustra alunos

Em 2016, a reitoria prometeu entregar um novo alojamento estudantil no primeiro semestre deste ano. Feita a partir de módulos, a construção entre o Cenpes e o CCMN deveria ter sido concluída rapidamente. Segundo o pró-reitor de Gestão e Governança, Ivan Carmo, o trabalho “avançou bem até abril”. Depois, empacou. O motivo é o de sempre: falta de pagamento.
Estudante da Psicologia e diretor do DCE Mário Prata, Caíque Azael lamenta a demora da obra: “A promessa era ganhar tempo, aproveitando a proximidade da estrutura básica (de luz, água e rede de dados) do CCMN”, além do terreno plano e cimentado, que já foi utilizado como estacionamento dos ônibus da Petrobrás.
O aluno ressalta que a expansão e a diversificação regional da universidade, via Reuni e o Enem, aumentaram a pressão por moradia oferecida pela universidade. “Para nós, o mais adequado seria uma estrutura fixa de alvenaria e não módulos temporários. Mas aceitamos como medida emergencial”, afirma.

Contrato de R$ 7,6 milhões

O contrato, no valor de R$ 7,6 milhões, com a Innova Rio Engenharia e Construções LTDA, tinha cronograma de 270 dias, entre 26 de agosto e 22 de maio. Até aqui, segundo a reitoria, só acabou a primeira etapa da obra, correspondente a fundações e estrutura. Ao todo, foram executados pela firma 50% do valor do contrato. O passo seguinte corresponde aos “fechamentos”, com a instalação de portas e esquadrias.
O pró-reitor Ivan explica que o financiamento da obra tem um complicador extra: a previsão orçamentária “meio a meio” entre recursos próprios da universidade e os obtidos por emendas parlamentares, que foram contingenciados em grande parte pelo governo federal.
A universidade negocia para tentar salvar o contrato. De acordo com o pró-reitor de Gestão e Governança, “a empresa já manifestou interesse em seguir desde que haja algum repasse”. A Pró-Reitoria de Planejamento e Desenvolvimento (PR-3) informou ter realizado, dia 11, o pagamento de R$ 470 mil.

Demanda reprimida

De acordo com a Superintendência Geral de Políticas Estudantis (Superest), como medida emergencial, a UFRJ oferece hoje “cerca de 440 bolsas de auxilio moradia”. O valor do benefício é de R$ 1.200,00. A Superest informou, por email, que “a demanda por auxílio moradia é bem maior do que a que a universidade consegue atender num cenário de asfixia orçamentária”.
Como exemplo desta limitação, no primeiro semestre de 2016, apenas 100 dos 461 estudantes que solicitaram, e tinham perfil socioeconômico pare fazer jus à bolsa, chegaram a receber o benefício. “Portanto, 21,69% da demanda”, confirmou a superintendência. No semestre seguinte, foram contemplados 40 dos 113 requerentes na mesma situação, “35% da demanda”.
Em relação às vagas do alojamento em módulo, quando forem abertas, a superintendência respondeu que “resolução do Consuni estabelece prioridade para os estudantes que recebem a bolsa emergencial há mais tempo”.  As obras de reforma da segunda ala do alojamento mais antigo ainda não começaram.

O projeto

Segundo o arquiteto do Escritório Técnico da Universidade (ETU), Alexandre Martins, o conjunto do alojamento é constituído por três blocos em módulos habitacionais metálicos, fechados por painéis termoacústicos e tela metálica.
O maior deles, o Bloco I é onde está o alojamento propriamente dito. Mas ainda há a previsão de estruturas coletivas como sala de estar e de jogos, lavanderia, uma minicozinha e ambiente de refeições. Além da administração, depósito e outras salas (da lixeira, por exemplo).
“O alojamento é dividido em cinco alas interligadas, tem dois pavimentos e possui 80 quartos convencionais para dois estudantes em cada um”, informa o arquiteto. Cada quarto tem 17,71 m2. Outros dois quartos são adaptados para portadores de necessidades especiais (PNE). No terceiro bloco, está planejado um bicicletário.
“Todos os quartos têm banheiro. Portanto, são 82 quartos e 82 banheiros para 164 estudantes”, resumiu. O projeto prevê um elevador para cadeirantes ou pessoas com dificuldade de locomoção e captação de águas pluviais dos telhados para reuso nas áreas externas.