O pró-reitor Roberto Gambine critica liberação do orçamento a "conta-gotas" feita pelo MEC

Kelvin Melo

kelvin@adufrj.org.br

Foto: Roberto Gambine disse que a universidade recebeu apenas a verba para mais um mês de funcionamento – Arquivo Adufrj

Anunciada com pompa e circunstância pelo ministro da Educação no início do mês, a liberação de R$ 347,2 milhões para universidades e institutos federais representa apenas um “alívio” para a UFRJ. “São mais R$ 30 milhões de custeio e aproximadamente R$ 3 milhões de investimento”, afirma o pró-reitor de Planejamento, Desenvolvimento e Finanças, Roberto Gambine. Na prática, é dinheiro para fazer a instituição funcionar em julho.

Até agora, a UFRJ recebeu autorização para gastar 70% de custeio e 40% de investimento do orçamento. O problema é que o montante previsto, mesmo se for totalmente liberado, já é deficitário para a manutenção das atividades acadêmicas e administrativas. Várias universidades já anunciaram que só têm dinheiro até setembro.

Em nota divulgada na página eletrônica da universidade, a reitoria informa que a verba de 2017 é 13,5% inferior à do ano passado: “Estamos trabalhando com o equivalente ao orçamento de 2013. A universidade cresceu, assim como as despesas“, diz Gambine. “Bolsas estão sendo pagas em dia. Nos contratos, chegamos até abril”, completa o pró-reitor.

No mesmo texto do site, a administração central chama atenção para o maior gasto da UFRJ: energia elétrica. Em 2014, a conta de luz da instituição foi de R$ 25,6 milhões. O “tarifaço” fez a conta subir para R$ 46 milhões em 2015 sem que houvesse aumento de consumo. Em 2016, para R$ 51,6 milhões. A previsão para 2017 é de R$ 52 milhões. “Isso sem contar com o ICMS, superior a 30%”, diz um trecho da nota.

A reitoria quer reduzir 25% do consumo, com uma campanha de conscientização chamada “Essa conta é de todos”: “Não é simplesmente para cortar e se adaptar à lógica do governo. Mas para que esta lógica não tenha mais efeitos maléficos. É para defender a universidade”, argumenta Gambine.

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