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Participação brasileira no CERN está ameaçada

A participação de pesquisadores brasileiros no maior centro de pesquisas e experimentos científicos do mundo, na Suíça, pode estar com os dias contados. O Brasil está com o pagamento atrasado das taxas de manutenção e operação do Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (CERN), na cidade de Meyrin. A inadimplência vem desde 2016.

São cerca de 120 pesquisadores atuando no CERN. Só da UFRJ, são 20, entre docentes e estudantes. Cada um custa 8 mil francos suíços anuais, cerca de R$ 26 mil.

O professor Cláudio Lenz, do Instituto de Física da UFRJ, é um dos prejudicados com a situação. Ele explica que havia uma rubrica específica do governo federal para os pagamentos. “Descobrimos que ela desapareceu esse ano e estamos com uma dívida hoje no CERN de R$ 5 milhões”, informou. Já existe desconforto com a comunidade científica internacional. “O CERN não quer nos colocar para fora, mas há cobranças”, pontua. Lenz faz parte da equipe internacional Alpha, que busca encontrar diferenças entre a matéria e a antimatéria. “A teoria mais básica da física hoje prevê que não há. Caso sejam confirmadas as diferenças, estamos falando em revolucionar a Física”, explica.

Passando o chapéu
Na lei de diretrizes orçamentárias de 2018, não há previsão para quitar os atrasados. Na semana passada, os pesquisadores foram à capital em busca de soluções. “Fomos passar o chapéu. Tentar algumas emendas parlamentares em caráter emergencial”, disse. “Tivemos uma boa recepção da Comissão de Ciência & Tecnologia da Câmara, mas é um processo que teremos de acompanhar bem de perto”, finalizou.

Ministério responde
Por e-mail, a assessoria do Ministério da Ciência e Tecnologia, Inovações e Comunicações limitou-se a responder que aguarda o descontingenciamento de recursos para “resolver as pendências” com o Centro Europeu de Pesquisa Nuclear.