Professores e estudantes fazem ato em defesa do Pibid, na Universidade Federal de Lavras, em 2016. Ao longo dos últimos anos, multiplicaram-se manifestações pela permanência do programa nas universidades - Foto: DCOM/Ufla

Elisa Monteiro

elisamonteiro@adufrj.org.br

Após protestos da comunidade acadêmica, o Ministério da Educação promete manter o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência, o Pibid. Será lançado novo edital de bolsas até fevereiro com a criação de um sistema de residência pedagógica. As informações, obtidas com exclusividade pela reportagem da Adufrj, surpreenderam os docentes da UFRJ.

“Oficialmente o MEC não publicou nada a respeito. Mesmo em relação à residência pedagógica, não há qualquer documento”, critica o coordenador institucional do Pibid na UFRJ, Joaquim Fernando Mendes da Silva. “Tudo o que temos são conjecturas”, lamentou. Hoje existem 73.266 bolsistas do Pibid em todo o país. Só na UFRJ são 230 alunos e 23 docentes envolvidos.

O programa é a principal iniciativa de apoio à formação de professores nas universidades. O Conselho Universitário aprovou, no último dia 7, uma moção contrária à extinção do Pibid. A moção enfatiza o “significativo impacto não apenas na formação dos professores no âmbito das Licenciaturas, mas também nas redes públicas de ensino fundamental e médio”.

Em nota enviada à reportagem após o Consuni, o Ministério da Educação afirmou que “a informação de que o MEC tem intenção de extinguir o Pibid é falsa”. E completou: “O Pibid, inclusive, terá edital lançado no começo de 2018, com a oferta de novas bolsas”. O ministério acrescentou que um programa chamado de “residência pedagógica” fará parte da “modernização do Pibid”. Uma novidade seria o estudante de graduação passar a ter “estágio supervisionado com ingresso a partir do terceiro ano da licenciatura”.

Uma das coordenadoras do Pibid da Faculdade de Letras, Ana Crelia Penha Dias, defende o programa na configuração atual: “O Pibid obriga a gente a rever muita bibliografia. Ele faz a universidade se relacionar com a educação básica”.

Karine Rocha, representante discente dos bolsistas Pibid da UFRJ, também fala da importância do programa para a formação de quadros para o magistério: “O Pibid foi muito decisivo para minha escolha no tema da monografia e para a decisão pela docência. Quando a gente entra no curso não tem muita certeza sobre a profissão; é o estágio que traz a experiência profissional”. Ela completa: “Todas as estratégias didáticas que lemos e discutimos criticamente nas pesquisas da universidade a gente testa na sala de aula. É um absurdo acabar com um projeto assim”.

Mudanças no Proex

Enquanto o futuro do Pibid ainda é incerto, as mudanças no Programa de Excelência Acadêmica já são uma realidade. O regulamento do Proex, voltado para o apoio aos cursos com conceitos 6 ou 7, foi alterado no início do mês. Diretor da Adufrj, o professor Fernando Duda chama atenção para o trecho que obriga o bolsista a devolver os valores repassados pela Capes, se não concluir o curso. O estudante só estaria livre da restituição por “circunstância alheia à sua vontade ou doença grave devidamente comprovada”: “Às vezes, o bolsista passa num concurso e tem que abrir mão do curso”, exemplifica Duda.

*colaborou Kelvin Melo

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