Manifestação na Maré, em 2013 - Foto: Samuel Tosta/Arquivo Adufrj

Kelvin Melo

kelvin@adufrj.org.br

Foto: Manifestação na Maré, em 2013 – Crédito: Samuel Tosta/Arquivo Adufrj

Além de invadir o colégio municipal Osmar Paiva Camelo, ação policial provocou o fechamento de mais 13 escolas

Policiais arrombaram, nesta quinta-feira, o portão da escola municipal Osmar Paiva Camelo, na Maré, bairro vizinho ao campus Cidade Universitária. O prédio foi utilizado como base de operações. O colégio estava vazio. A direção soube da ação policial de manhã cedo e suspendeu as aulas. As informações são da ONG Redes da Maré.

Em decorrência da ação policial, que começou às 6h, 4 pessoas ficaram feridas por arma de fogo, mais de 4 mil estudantes ficaram sem aula e 4 postos de saúde foram fechados.

Segundo a Secretaria Municipal de Educação, 14 escolas, 2 creches e 7 Espaços de Desenvolvimento Infantil da Maré não abriram hoje em decorrência dos riscos gerados pela operação da PM.

De janeiro a maio de 2017, as moradoras e moradores do conjunto de favelas da Maré já foram impactados por 13 dias de confrontos entre grupos armados, 16 dias de operações policiais, 14 dias sem aulas, 19 dias sem postos de saúde, com 18 pessoas feridas e 15 pessoas mortas, ainda de acordo com a ONG Redes da Maré.

No fim de junho, a juíza da 6ª Vara da Fazenda Pública do estado do Rio expediu uma decisão que determinou à Secretaria de Segurança apresentar, em até 180 dias, um plano de redução de riscos e danos a ser cumprido pelas forças policiais sempre que realizarem uma operação na Maré. O prazo não está correndo, pois a Secretaria ainda não foi intimada.

A decisão estabelece que, ao ordenar a realização de operações policiais naquele território, o estado do Rio deixe ambulâncias de plantão. De forma gradual, também deve ser implantado sistema de vídeo e áudio em todas as viaturas, além de monitoramento por GPS.

A sentença observa que os mandados judiciais de prisão e de busca e apreensão por parte de policiais militares e civis devem ser cumpridos durante o dia, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, conforme a Constituição Federal.

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