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Professor lança livro sobre paradigmas filosóficos

O pós-modernismo prega que a História acabou: pequenas reformas podem ocorrer, mas não haverá grandes transformações na sociedade. Para questionar o discurso, o professor Marcio Tavares d’Amaral, emérito da Escola de Comunicação, analisa a cultura ocidental em cinco séculos distintos, na série de livros intitulada “Os assassinos do sol”. A coletânea, publicada pela Editora UFRJ, é dividida em oito volumes.

O pensamento pós-moderno seria o “assassino”, que elimina parte expressiva da população mundial ao defender a globalização do mundo baseada no consumo. O professor argumenta que, de 7 bilhões de pessoas do mundo, boa parte vive na miséria, não consome. “Se a história acabou, existem bilhões de pessoas congeladas no tempo, sem futuro, sem esperança. Isso é um espanto!”, critica.

No terceiro e mais recente livro, o professor dá como exemplo de uma brusca mudança na sociedade o embate entre fé e razão na Idade Média. Marcio afirma que “A cultura ocidental começou quando, no século I, a fonte grega do ser, da razão, da filosofia, se encontrou com a fonte judaica de Deus, da fé, da religião”. Ele completa: “Elas não tinham nada a ver uma com a outra, mas se chocaram e reformularam fundamentalmente algumas ideias”.

A obra foge do modelo tradicional. Os autores e escolas não são apresentados em ordem cronológica. O primeiro volume da série cuidou da chamada escola patrística, do século IV: quando os padres buscavam a racionalização da fé cristã; o segundo, dos gregos clássicos, no século V antes de Cristo.

Nesta quarta-feira (dia 25), ocorre o lançamento do terceiro livro da série Os assassinos do sol: uma história dos paradigmas filosóficos. O evento começa às 19h, na Livraria Travessa de Ipanema.

Paixão por lecionar

Marcio Tavares compõe o quadro docente da UFRJ há mais de 40 anos. Mesmo aposentado, a paixão por lecionar ainda o mantém em sala de aula: ele se dedica às áreas de História, Religião e Filosofia na graduação e pós-graduação. “Eu dou cinco horas de aula por dia. Todos os dias. Sou professor emérito. Tenho o direito à aposentadoria, mas o direito que eu me dei foi o de continuar dando aula. Eu vivo para isso”, conta.