Renato Souza

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Beatriz Resende, da Faculdade de Letras da UFRJ, é uma das convidadas da 15ª edição da Feira Literária de Paraty. Não por acaso. Há quase 40 anos, a professora estuda Lima Barreto (1881-1922), nome homenageado na Flip 2017.

Poeta negro e suburbano, o célebre autor de Triste Fim de Policarpo Quaresma quebrou barreiras na literatura com uma obra de forte cunho social. “Por um lado, vem atrasada (a deferência), mas por outro vem num momento muito bom. É necessária, não só pela homenagem a ele, mas pela questão das minorias, especialmente negra”, diz Beatriz.

Para a professora Beatriz Resende, homenagem a Lima Barreto vem num momento oportuno – Foto: Isabella de Oliveira

A professora participará de duas mesas da Flip, que será realizada entre 26 e 30 de julho. Na primeira, intitulada “Arqueologia de um autor”, Beatriz estará com os também docentes Edimilson de Almeida Pereira (da Universidade Federal de Juiz de Fora) e Felipe Botelho Corrêa (King’s College, de Londres): “Vamos discutir o porquê de Lima Barreto ter demorado a fazer parte do cânone da literatura brasileira” — o escritor se desentendeu com figuras célebres da época e fazia críticas ao movimento modernista, despontando na época. Na segunda, chamada “Subúrbio”, com a participação do historiador Luiz Antonio Simas, a professora pretende falar do olhar de Lima Barreto sobre o Rio de Janeiro.

Beatriz adianta que lançará na Flip algumas novas publicações sobre o autor, como o e-book “Sobre Lima Barreto”, além do livro “Impressões de leitura e outros textos críticos”.

Mais diversidade

Depois de criticada em 2016 pela falta de diversidade entre os palestrantes, a organização da Flip garante na agenda uma participação de 30% de autoras e autores negros. Para Beatriz Resende, a feira cumpre um papel fundamental: “A Flip é um evento decisivo no mundo editorial. Tem muita visibilidade e pauta jornais. Este ano, com questões como o racismo”, explica.

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