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Professores sofrem com improviso na EBA

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Professores sofrem com improviso na EBA

Insalubridade e trancamentos assombram curso no retorno às aulas

Elisa Monteiro
elisamonteiro@adufrj.org.br 

Professores e alunos da Escola de Belas Artes têm sofrido bastante no retorno às aulas, desde o dia 16. “A EBA foi a mais prejudicada em termos de espaço perdido”, explica Patrícia March, coordenadora do Departamento de Desenho Industrial. A unidade ocupava o sexto e o sétimo andares do edifício da reitoria — interditados após o incêndio ocorrido no local em 3 de outubro — e compartilhava com a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo o segundo pavimento.

De acordo com um mapa publicado no site da EBA, das cerca de 370 matérias ofertadas, 220 foram mantidas no prédio, muitas em salas improvisadas nos corredores, com problemas de iluminação e acústica. Outras 110 foram transferidas para o Centro de Tecnologia, 25 para a Faculdade de Letras e cinco para o Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza.

A administração também foi pulverizada. “As chefias de departamento estão enlouquecidas. Toda a direção da EBA está em duas salinhas (da decania) do Centro de Letras e Artes (CLA)”. Segundo a docente, atualmente, o único lugar com internet.

Mais um detalhe: March explica que dois terços da grade curricular do curso correspondem a disciplinas práticas “que demandam espaço e mobiliário muito particulares”.

Muitos estudantes não querem continuar os estudos nas atuais condições. “Já estamos com trancamentos acima do normal”, afirma a professora. O professor Dalton Raphael mostra, no celular, a última mensagem que recebeu de aluna justificando trancamento: “Não concordo com aulas em corredores”, escreveu a jovem. “Só hoje recebi duas”, relata Dalton.

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Dalton está dando aula de Geometria e perspectiva em uma das seis baias divididas por divisórias no acesso ao Salão Azul. “Voltamos há apenas uma semana e já estou rouco. Não há qualquer acústica”. Ele afirma que não sabe como serão as 10 semanas que faltam para completar o semestre. “Sempre tivemos problemas com a manutenção (da estrutura) e condições (de trabalho), mas nunca foi tão ruim. Para dar esta aula, eu precisaria de um quadro ao menos quatro vezes maior”, desabafa.

Na avaliação do docente, a escassez de recursos não explica a precariedade. “Não é possível que esta seja a única alternativa. Ao menos por estes três meses (para fechar o semestre), poderíamos estar sob cobertura de tendas, com algum isolamento sonoro e alguma cara de (sala de) aula”.

Isabela Baur, aluna do 5º período do curso de Composição de Interior, assiste a uma disciplina eletiva em uma sala adaptada. “Não é bem uma sala de aula, é um cantinho numa sala administrativa”. Para ela, “não fazer tudo no mesmo prédio é ruim, mas dá para levar até o fim o semestre”.


CARTA

Ao ler a matéria publicada no Boletim da Adufrj, relatando as condições da EBA após o incêndio, identifiquei alguns ruídos de comunicação. Nesse sentido, gostaria de um espaço nos veículos de vocês para esclarecer dois pontos importantes.

1. Em primeiro lugar, sobre a dificuldade de reorganização administrativa dos diferentes setores da EBA há uma declaração dada no calor da situação, mas que não condiz com a minha avaliação sobre as dificuldades que as Chefias e Coordenações de Curso estão enfrentando para minimizar as dificuldades de trabalho. “As chefias de departamento estão enlouquecidas” não tinha sentido literal e perdeu o contexto na edição do texto.

2. Em relação ao trancamento de disciplinas pelos alunos “acima do normal”, acredito que não ficou suficientemente claro que não se trata de um fato administrativamente configurado. Pois ainda não temos dados oficiais sobre a questão. A minha fala baseou-se em consultas a colegas e alunos. Cabe salientar, contudo, que o prognóstico vem ao encontro da demanda apresentada pelos estudantes da EBA e acatada na sessão do CEG do dia 24 de extensão do prazos oficiais para trancamento de matrícula e disciplinas.

Tendo em vista minha responsabilidade e o meu compromisso, como Docente e Coordenadora de curso da EBA, solicito que sejam esclarecidos estes pontos.

 

Cordialmente, Patricia March