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Reitoria é cobrada sobre o Instituto Politécnico de Cabo Frio

Reitoria é cobrada sobre o Instituto Politécnico de Cabo Frio

Silvana Sá. silvana@adufrj.org.br

O Conselho Universitário de 22 de outubro foi palco de uma série de cobranças feitas, especialmente pela bancada dos alunos, à reitoria. Os assuntos foram apresentados durante a primeira parte da sessão, destinada aos informes. Reivindicaram, por exemplo, solução que tenha como objetivo a manutenção do Instituto Politécnico de Cabo Frio (IPUFRJ). Representantes dos estudantes de Cabo Frio também fizeram uso da fala no Consuni para defender a permanência do instituto naquela cidade.

Sobre o IPUFRJ, o reitor Roberto Leher informou que a universidade abrirá sindicância para apurar em quais circunstâncias o Instituto deixou de ser um projeto de extensão universitária (mote no qual foi criado em 2008) para ser uma escola de formação politécnica. E disse que a decisão foi tomada depois que a Controladoria-Geral da União (CGU) recentemente questionou a existência do colégio e sua vinculação com a UFRJ. Leher explicou que a criação do instituto não passou pelas instâncias decisórias da universidade e, portanto, a escola “não existe objetivamente na estrutura da universidade”. Segundo o reitor, o encaminhamento do Consuni em 2012 foi que o instituto não abrisse novas matrículas e transferisse os estudantes para outras escolas. “Ocorre que a UFRJ não fez nada e o instituto continuou abrindo novas matrículas”.

Conforme informou o reitor, a UFRJ e o Instituto Federal Fluminense, que tem o campus de Pádua para formação politécnica, firmaram um convênio para tentar solucionar o drama dos alunos. No acordo, o IFF emitirá certificação do ensino médio aos estudantes que já concluíram ou concluirão este ano a formação no instituto de Cabo Frio. Também está sendo negociado para que o mesmo campus receba os alunos do primeiro, segundo e terceiro anos do ensino médio (a formação do IPUFRJ é de quatro anos no nível médio). Já os estudantes do sexto ao nono ano do ensino fundamental deverão ser transferidos para escolas municipais da região.

Pensando nos estudantes

O professor Walter Suemitsu, um dos apoiadores do IPUFRJ desde o seu começo, conversou com a reportagem. “Tudo o que fizemos até aqui foi pensando nos estudantes. Minha proposta é que seja mantido o projeto até que os últimos alunos sejam formados. As famílias da maioria absoluta dos alunos não têm condições de transferir as crianças para escolas privadas. E a Secretaria Municipal de Educação de Cabo Frio, na época da decisão do Conselho Universitário, afirmou que não havia vagas na rede para a transferência desses estudantes”, alegou o docente.

Na ocasião, Suemitsu era decano do Centro de Tecnologia e compunha a comissão que buscava institucionalizar o projeto para que os estudantes tivessem direito à certificação. “Somente neste ano conseguimos, finalmente, um convênio com o Instituto Federal Fluminense, a partir da fundação do campus de Santo Antônio de Pádua. Quando o professor Leher assumiu (a reitoria), esta solução já estava encaminhada”, esclareceu.

O histórico  

O projeto nasceu para formar professores especificamente para o ensino técnico, contou Suemitsu. O projeto foi se transformando a partir das demandas apresentadas pelas famílias dos estudantes, como a criação da formação em Química. Os estágios eram realizados junto à universidade. “Havia parceria com a Secretaria Estadual de Educação (que nos daria a certificação para o ensino médio). Depois, a Secretaria Municipal de Cabo Frio pressionou para que abríssemos vagas também para o ensino fundamental, porque a rede local não dava conta da demanda”, contou.

No início de 2010 a Secretaria Estadual rompeu o acordo. “Na medida em que o Estado foi retirando os professores, a UFRJ foi assumindo as disciplinas. O que chamamos de residentes docentes, no início, apenas faziam a complementação da formação dos estudantes. Daí o então reitor da UFRJ, professor Aloísio Teixeira, nos sugeriu que chamássemos o projeto de Instituto Politécnico de Cabo Frio”.

Em 2011, a Secretaria Municipal rompeu também seu convênio com o IPUFRJ e aí desmontaram-se definitivamente os pilares de sustentação do instituto. “A comissão se empenhou em tentar institucionalizar o projeto. Fizemos reunião com a Comissão de Integração Acadêmica do CT, que tentou nos ajudar nessa tarefa. Foi fundado o Núcleo Interdisciplinar para o Desenvolvimento Social (Nides), no próprio CT, para ajudar a formar professores que pudessem atuar em Cabo Frio”. O curso de mestrado do núcleo abriu inscrições esse ano.