Elisa Monteiro

elisamonteiro@adufrj.org.br

*colaborou Isabella de Oliveira

“Não é novidade que o Rio de Janeiro está servindo de laboratório para um enxugamento drástico do Estado no país”. Foi assim que Luciane Soares, presidente da associação docente da Universidade Estadual do Norte Fluminense, avaliou o relatório do Ministério da Fazenda sobre a crise do estado. No texto, divulgado no dia 5, os técnicos da pasta indicam a “reforma do regime jurídico único de servidores”, a “demissão de comissionados e ativos” e “revisão da oferta de ensino superior”.

“Ainda estamos digerindo as informações. Para os servidores, especialmente os mais humildes, a perspectiva de extinção da universidade e demissões foi muito violenta”, informou Luciane. Ela completou: “O governador apenas obedece ao que o governo federal manda executar. Não há negociação real”.

“Já vínhamos denunciando que esse é o projeto de educação em curso. Hoje está escancarado que Pezão, Meirelles e Temer são inimigos da educação pública”, reforçou Lia Rocha, presidente da Associação dos Docentes da Uerj (Asduerj).

Já a presidente da Aduezo, Yipsy Roque Benito, disse que a preocupação na Universidade Estadual da Zona Oeste é “em dobro”. “A Uezo é uma universidade nova e com uma estrutura ainda muito mais modesta: não temos plano de carreira ou Dedicação Exclusiva. Um professor nosso ganha metade de um colega de outra estadual”, argumentou. O principal temor dos docentes é o fim da instituição: “Se uma universidade do porte da Uerj se encontra em risco, imagina nós que temos muito menos visibilidade”.

Hoje, o governador Pezão negou a privatização da Uerj, mas afirmou que pretende aprovar uma lei que obrigue universitários a prestarem serviços ao estado depois de formados. Seria uma contrapartida pela graduação, como explicou em entrevista ao Jornal da CBN.

O reitor da Uerj, Ruy Garcia Marques, classificou como “estarrecedor, grotesco e inaceitável” o relatório do Ministério da Fazenda, também em entrevista à CBN. O dirigente também respondeu ao governador, que criticou a transparência da gestão da universidade: “As contas da Uerj estão todas no sistema da Secretaria de Planejamento. Já revimos todos os contratos, enxugamos custos”. Mesmo assim, segundo o reitor, já há bastante tempo, a instituição tem pouca verba para manutenção e nada para investimento. Ruy Marques disse ter solicitado uma audiência com o governador para defender os interesses da Uerj.

Lia Rocha criticou as declarações do governador Pezão. “O relatório da Fazenda traz sugestões para o caso de o regime de recuperação fiscal não dar certo”, observou. “Mas o governador se antecipa em declarações esdrúxulas como essas”.

#Tamojunto

“Somos solidários à Uerj neste momento de ataques, e vamos dar todo apoio possível. Inclusive, a campanha Conhecimento Sem Cortes será ainda mais atuante nessa luta”, disse a presidente da Adufrj, Tatiana Roque.

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