Painel-Allende2

O Chile na Lapa

Um pedaço da Lapa ganhou ares de Chile revolucionário na agradável tarde-noite de final de inverno. Os acordes do cavaquinho do botequim Vaca Atolada, no coração do bairro boêmio, foram substituídos pelo violão latino do grupo Canto Libre nas canções de Vitor Jara e Violeta Parra. Os dois artistas são símbolos na cultura, da experiência revolucionária do governo da Unidade Popular (1970-1973) no país andino. Não faltaram empanadas e vinho na celebração em memória  dos 40 anos do golpe militar no Chile que pôs fim ao governo socialista de Salvador Allende, e deu início à ditadura sanguinária de Pinochet. A base de cultura do PCB, que organizou o evento, chamou para um debate sobre democracia e poder popular os professores Virgínia Fontes (Fundação Oswaldo Cruz) e Mauro Iasi (UFRJ). O professor Jaime Osório, chileno, mas radicado desde o golpe no México, onde leciona na Universidad Autônoma Metropolitana, foi o convidado especial. “Tomar o céu por assalto”, sintetizou Osório ao tentar traduzir o que foi a experiência do governo Allende.

 

 

 

 

Painel separacao

A experiência revolucionária do governo da Unidade Popular transformou o socialismo em fenômeno de massas, observou Mauro Iasi.

Painel separacao

Iasi lembrou que, ao assumir o governo, Allende passou a cumprir o programa com o qual foi eleito.

Nacionalizou a mineração, que representava 80% da economia do país e era controlada por empresas transnacionais.

Estatizou o sistema financeiro.

Estabeleceu normas contra os monopólios industriais e grandes empresas de telecomunicações, entre elas a gigante americana ITT.

Painel separacao

O discurso de Iasi foi intercalado com apresentações de artistas reproduzindo canções de Vitor Jara, que teve as mãos decepadas ao ser assassinado pelo regime fascista.

Painel separacao

O professor lembra que a atmosfera revolucionária do Chile da Unidade Popular foi acompanhada de uma explosão de cultura popular.

Painel separacao

“Se a esquerda abraçou o povo, o povo abraçou suas bandeiras e o socialismo”, disse.

Painel separacao

No clima de tarde revolucionária, a professora Virgínia Fontes fez uma reflexão sobre as dificuldades de luta de classes no Brasil e no mundo.

Painel separacao

Virgínia começou lembrando que o papel de “gendarme do mundo” que os EUA chamaram para si, só é possível pela aliança com as burguesias locais.

A professora destacou a truculência da burguesia brasileira (citou a violência da polícia nas manifestações de junho). Mas disse, também, que nos últimos 20 anos um setor dessa burguesia aprendeu a manejar formas aceleradas de convencimento.

Painel separacao

Chamou atenção para as armadilhas a serem enfrentadas. Uma delas: a suposição de que o desenvolvimento, “com a palavrinha mágica sustentável, que ninguém sabe o que quer dizer”,  possa assegurar  uma modificação das condições da existências das grandes massas é uma falácia.

Painel separacao

“Não pode”, ela disse.  Pelas simples razão de que este desenvolvimento se dará pela lógica capitalista. 

Painel separacao

13092372Outra  armadilha: a ideia de que existe uma “boa burguesia” que irá nos conduzir a um capitalismo autônomo.

“Agora, vem cá: alguém acredita na possibilidade de capitalismo autônomo em pleno século XXI?”, provocou.

Virgínia Fontes disse que, hoje, no mundo,  a exigência democrática que se coloca é a  “igualdade”.

Segundo ela, uma palavra que havia sido “proscrita” , reesignificada, trocada por equidade, participação, cidadania etc..

Painel separacao

Depois de Virgínia, um chileno e uma mexicana do grupo Canto Libre cantaram Violeta Parra.

Painel separacao

“Gracias a La Vida” emocionou.

Foi nesse clima que Jaime Osório foi chamado a falar.

Ele disse que as bandeiras, as músicas, a palavra dos que o antecederam, tudo isso o deixava muito comovido.

Painel separacao

O professor, que deixou o Chile logo depois do golpe, buscou a síntese para traduzir o que foi a experiência revolucionária no seu país.

Painel separacao

“É quando o extraordinário se torna o comum”, disse. “Foi tomar o céu por assalto”.

ADICIONAR COMENTÁRIO

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

(*)

(*)