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Seis décadas de ciência e luta contra a tuberculose

O Instituto de Doenças do Tórax, unidade pioneira no ensino, na pesquisa e na extensão relacionados à tuberculose, acaba de completar 60 anos. O atendimento dos pacientes é realizado em prédio com ventilação especial, anexo ao Clementino Fraga Filho.

O trabalho do IDT ganha especial importância neste momento com a volta da tuberculose ao noticiário: “Os índices na Rocinha são próximos aos de alguns países na África”, afirma a diretora, professora Fernanda Carvalho Mello.

Ela destaca que o Rio de Janeiro está na segunda pior colocação no Brasil, duas vezes acima da média nacional. “A contaminação média no país é de 30 casos para cem mil habitantes. No Rio de Janeiro, são 63 casos”, cita.

A pesquisadora explica que a doença abate, sobretudo, os mais fragilizados, como presidiários, pessoas em situação de rua e pacientes com imunodeficiência. “São aqueles, muitas vezes, com problemas de nutrição, com baixa defesa e que vivem em locais conglomerados”, explica.

Outra professora que atua no IDT, Sônia Figueiredo destaca as dificuldades do tratamento. “É uma medicação forte, não pode álcool nem anticoncepcionais, deixa a pele acnéica”, argumenta Sônia. “E são meses de remédio diário. Como há uma sensação de melhora inicial, muitos não concluem o tratamento”. A consequência, em geral, é a reincidência da doença. Mais forte e resistente à droga.

Integrado ao SUS

A unidade está integrada às redes municipal e estadual de saúde pelo sistema de regulação do SUS. Possui residência médica e pós-graduação lato e stricto sensu.

A mais recente aquisição de grande porte do IDT é um aparelho de ultrassonografia endobrônquica (EBUS), conquistado em 2012, via edital da Faperj. “Ele melhora a qualidade de vida do paciente porque permite um diagnóstico que dispensa cirurgia”, explica a diretora.

Também é motivo de orgulho o sucesso do projeto de extensão do Núcleo de Estudos e Tratamento do Tabagismo. A formação à distância para profissionais de saúde teve procura dez vezes superior à oferta em 2017. “Encontramos gente formada aqui por todo o Brasil. Para 2018, aumentaremos de 80 para 120 vagas. A demanda este ano foi de mais de 800 candidatos”.

Publicação especial pelo aniversário

Para celebrar os 60 anos, foi lançada publicação especial que resgata o legado do IDT com fotos históricas, matérias de jornais, depoimentos de autoridades que passaram pelo instituto, entre outros registros. Uma visita do então presidente Juscelino Kubitschek, em 1957, é um dos destaques.

À época, o instituto ainda tinha forma de cátedra de Tisiologia da Universidade do Brasil. “O IDT sempre foi vinculado à Faculdade de Medicina”, conta a professora Fernanda Carvalho Mello. “A década de 1950 teve uma grande endemia de tuberculose e surgiram as primeiras propostas terapêuticas”.