Antonio Negri - Foto: George Magaraia/Uerj

Elisa Monteiro

elisamonteiro@adufrj.org.br

A capela ecumênica da Uerj ficou lotada para ouvir o filósofo político italiano Antonio Negri, no último dia 29. O intelectual é um dos símbolos da resistência antiglobalização com estudos sobre o papel político das multidões em movimentos como o Occupy Wall Street, de 2011.

A escolha do lugar da conferência não foi fortuita: a atividade foi também um ato político de solidariedade à instituição que tem seu funcionamento ameaçado pelo ajuste fiscal. “Não por acaso o setor intelectual está entre os primeiros a serem atacados”, destacou Negri. “A universidade produz bens comuns, algo que o capitalismo busca a todo custo reduzir. E é exatamente como vemos acontecer hoje aqui (na Uerj)”.

Negri falou sobre “O Liberalismo contra o comum”, destacando que “o ‘comum’ não se limita a objetos; ele diz respeito ao modelo de produção e de sociedade”. Segundo o autor de Império e Multidão, a automação e informatização do trabalho, nas últimas décadas, produziu uma situação paradoxal: o aumento da exploração é acompanhado por um aumento da autonomia de quem produz.

“Daí a importância dos aspectos culturais”, sublinhou, enfatizando o esvaziamento dos espaços tradicionais de resistência como sindicatos. “Muito do movimento que conquistou o bem estar social depois da Segunda Guerra, perdeu-se na luta essencialmente coorporativa”.

O tema da “consciência” recebeu atenção especial. Nele, foi ressaltado o papel dos setores mais prejudicados pelas desigualdades: negros, mulheres e jovens. “Podemos falar em um recuo de consciência no tipo clássico de operário”, observou em um momento. “Mas fiquei positivamente surpreso, no ano passado em São Paulo, nas ocupações de estudantes secundaristas, que expressavam um nível altíssimo de consciência política”.

Solidariedade à Uerj

O evento foi uma iniciativa dos movimentos Conhecimento sem Cortes, Uerj Resiste, Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ e o Instituto de Artes da Uerj. E contou com o apoio da Adufrj, Asduerj, Departamento Cultural (Decult) e Sub-reitoria de Pós-graduação e Pesquisa da Uerj.

“Estamos aqui para prestar toda nossa solidariedade à Uerj, universidade que já foi um lugar de reprodução da elite e hoje é um instrumento da democracia”, frisou a professora Tatiana Roque, presidente da Adufrj, na abertura do debate. O coordenador do Fórum de Ciência e Cultura (FCC) da UFRJ, professor Carlos Vainer também saudou o encontro na estadual: “Estamos aqui com vocês e por vocês, que são um símbolo da melhor rebeldia que uma universidade pode ser”.

 

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