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Terceirizados: Associação denuncia 400 demissões

JÁ SOMOS 400 DEMITIDOS E A UFRJ PARECE A MESMA

Os trabalhadores terceirizados da UFRJ vêm sofrendo com o descaso das empresas que não cumprem com os pagamentos de benefícios e salários e nas últimas semanas já demitiram mais de 400 trabalhadores. 
A empresa Qualitécnica, que foi, até o mês de julho, responsável pela maior parte dos contratos de limpeza, portaria e almoxarife atrasou salários por mais de três meses, deixando os trabalhadores em péssimas condições financeiras e psicológicas. Sua sucessora, a Venturelli, se tornou o novo pesadelo dos trabalhadores, que esperavam conseguir ter a dignidade de receber em dia seus salários e benefícios. Já no primeiro mês de contrato houve atrasos, trabalhadores esperaram salários de três meses, vindo a receber somente no início de novembro, e mesmo assim não foram pagos todos os valores. Isso configura uma quebra de contrato descarada, pois as empresas têm a obrigação de arcar com todas as contas de seus funcionários nos três primeiros meses de contrato, mesmo sem receber empenhos da UFRJ. Também, sofreram atrasos de meses os trabalhadores da empresa Tecman.

De fato, os recentes cortes no orçamento da UFRJ feitos pelo governo federal têm intensificado esta situação cruel. As empresas dizem sofrer com o não pagamento das faturas, porém, não apresentam concretamente as listagens de trabalhadores que eles dizem ter pago. Tratam-nos como números, em setembro 25% pagos, em outubro 80% e etc. Porém, os fatos do dia a dia eram trabalhadores desesperados, esperando por uma resposta aos seus extratos zerados.

Plantões para trabalhadores sem salários

O pior foram os tristes fatos de gestores da UFRJ e supervisores das empresas que “orientavam” trabalhadores a fazerem “plantões” mesmo sem seus salários e benefícios. Não há outra palavra para trabalho sem salário que não ESCRAVIDÃO!

Esta prática, em uma instituição como a UFRJ, demonstra o grau de opressão a que nós somos submetidos. Mas, graças a muita mobilização e luta dos trabalhadores junto a ATTUFRJ, conseguimos convencer muitos colegas a não se submeterem, fato que gerou outro absurdo, como a perseguição silenciosa de quem não vai trabalhar no “plantão”. Já que houve trabalhadores da Venturelli que disseram poder receber logo os seus salários atrasados, caso cumprissem os “plantões”. Até a data de hoje muitos trabalhadores ainda não receberam o mês de outubro.

Solução da crise da UFRJ deve ser a penalização dos trabalhadores terceirizados?

Na quinta feira, 19 de novembro, centenas de trabalhadores da Venturelli foram convocados para a sede da empresa que fica na Vila Residencial da UFRJ. Na ocasião foi anunciado o corte de 400 trabalhadores! Seguindo a orientação que vem sendo cumprida, em diversos setores da UFRJ, de corte de gastos. Isso mesmo, para eles nós somos os gastos, tanto que demitiram, mas, sequer, estão notificando ou dando aviso prévio. Os trabalhadores não receberam, não têm previsão de receber e não sabem se estão demitidos ou não. 

Em uma universidade que se orgulha de ter crescido muito nos últimos cinco anos, vemos o trágico quadro de deixar trabalhadores sem saber se vão receber seus diretos mínimos de aviso prévio, FGTS e rescisão, já que as empresas não pagam nem seus salários em dia.

Nós da ATTUFRJ, temos recebido muita solidariedade por parte de estudantes, servidores e professores, bem como das suas entidades de representação. Mas, nos espantamos com a acomodação da maioria da comunidade acadêmica com esta situação. Pois, consideramos que é necessário lutar contra tudo isso, cobrar do governo federal que cumpra com suas obrigações e que problemas como plantões de trabalhadores sem salários e empresas quebrando contratos, sejam motivo de indignação e mobilização.

Não aguentamos mais tamanha pressão sobre nossas costas. Agora são mais de 400 famílias que não sabem como será seu fim de ano. Não ficaremos calmos esperando esta tormenta passar, terão que nos ouvir, doa a quem doer!

Diretoria da Associação dos Trabalhadores Terceirizados da UFRJ – ATTUFRJ.