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Terceirizados sofrem com a falta de pagamento 

Trabalhadores da empresa Venturelli, que não recebem há vários meses, protestaram na reitoria. Termo de Ajuste de Conduta não foi cumprido pela firma

Samantha Su
Estagiária e Redação

Terceirizados da empresa Venturelli, do setor de limpeza e portaria, estão sem receber desde que a firma assumiu funções na UFRJ em junho deste ano. Por conta disso, decidiram parar de trabalhar nas últimas duas semanas. Segundo os funcionários, quem atua na limpeza chegou a receber R$ 470 referentes ao mês de agosto e a Venturelli teria prometido pagar mais R$ 500 para o mês de setembro apenas. Já no serviço de portaria, os terceirizados não recebem nem os salários e nem os benefícios desde julho: “Não temos um centavo para sair de casa. Há pessoas com depressão e endividadas”, desabafou Waldinéa Nascimento, porteira pela empresa e uma das diretoras da Associação dos Trabalhadores Terceirizados da UFRJ (ATTUFRJ).

A UFRJ já comunicou o problema ao Ministério Público do Trabalho e um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) foi acionado contra a Venturelli. Segundo a medida, se a empresa não pagasse os salários até 27 de outubro, seria descontada em R$ 300 por funcionário a cada dia de atraso. Além disso, até o quinto dia útil de novembro, a firma deverá acertar os benefícios.

O acertado para o dia 27, porém, não se confirmou. Como resultado, cerca de 20 terceirizados, em grande maioria mulheres, fizeram um protesto: fecharam por alguns minutos o trânsito interno do Fundão, na quarta-feira (28). Marcharam do Centro de Tecnologia ao prédio da reitoria, mas não foram recebidos pela administração central. “Nós viemos até aqui porque queríamos redigir com a reitoria um documento, registrando que a Venturelli não respeitou o prazo estipulado pelo TAC para fazer os pagamentos. Como não tem ninguém aqui para isso, vamos nós mesmas ao Ministério Público do Trabalho relatar”, disse Waldinéa Nascimento presidente da Associação dos Trabalhadores Terceirizados da UFRJ (ATTUFRJ). 

Em comunicado, a direção da Venturelli pediu aos funcionários que voltassem a trabalhar: “Nós, da Direção da empresa, não determinamos a nenhum funcionário que parassem (sic) a prestação dos serviços, pois não houve, ainda, nenhuma rescisão de contrato”, diz a nota. Afirma também que aguarda o repasse do pagamento da UFRJ, sem especificar quanto a universidade deve à empresa. Sobre os salários atrasados, a Venturelli declara que “não estamos medindo esforços” para quitá-los e solicita àqueles funcionários não “aptos” a voltarem para o trabalho que “se dirijam ao escritório para solucionar de forma amigável seus problemas e dúvidas”.

Retorno ao trabalho só com salários em dia

A ATTUFRJ respondeu que os terceirizados só retornarão ao trabalho após o recebimento dos salários, “uma vez que o trabalhador, já cansado das  mazelas provenientes das outras empresas, depositou sua  confiança no cumprimento da palavra da Venturelli. Há trabalhadores que não recebem desde que começaram a trabalhar e o comunicado nada falou sobre isso. Apenas cobra que os trabalhadores cumpram com suas funções mesmo sem receber seus benefícios e salários”, diz carta enviada pela entidade à Comunicação da Adufrj-SSind.

Detalhe: a Venturelli atua no setor da limpeza de forma emergencial, substituindo a Qualitécnica, empresa que, no início de 2015, também por atrasos nos pagamentos, causou o adiamento do início do primeiro período letivo em toda a UFRJ. A nova firma é responsável por funcionários no Hospital Universitário, Centro de Tecnologia, Centro de Ciências da Saúde, Prefeitura e Reitoria. São mais de mil trabalhadores na universidade.

Reitoria diz que empresa não cumpre o contrato

O pró-reitor de Gestão e Governança, Ivan Carmo, observa que a Venturelli, mesmo sem repasses da universidade, não deveria atrasar os salários. Os contratos preveem que as firmas tenham capital para funcionar por até três meses, nestas condições: “A Venturelli entrou em junho de forma contratual para os setores de Almoxarifado e Portaria, mas o setor da limpeza entrou no meio de agosto. Pelo contrato, não deveria atrasar o salário dos funcionários. Estamos tentando equilibrar o que estamos recebendo com o que temos de pagar. Esperamos que o governo libere até o final do mês mais verbas”.

O dirigente também acusou um problema administrativo por parte da empresa: “A Venturelli só nos enviou o faturamento correto na semana passada e nos organizamos para repassar parte do valor. Outra parte está empenhada na PR-3, à espera do repasse do governo federal”. 

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