Divulgação ASCOM/Adunb

Isabella de Oliveira

isabella@adufrj.org.br

A campanha Conhecimento Sem Cortes inaugurou na quarta-feira (9), em Brasília, um estratégico tesourômetro. O painel eletrônico que mostra, minuto a minuto, os cortes na Educação e na Ciência desde 2015, foi instalado numa via que liga o aeroporto ao Congresso. Bem à vista, portanto, dos parlamentares que vão votar o orçamento de 2018.

Carlos Frederico Leão, professor do Instituto de Economia e vice-presidente da Adufrj, explicou, em um debate realizado na Universidade de Brasília, os cálculos que movem o tesourômetro: instituições federais de ensino superior, Capes e Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações estão perdendo cerca de R$ 500 mil por hora ou R$ 8 mil por minuto em comparação com o orçamento de 2015. A cifra já ultrapassou R$ 11 bilhões. Ele destacou que o governo tem o dinheiro para aplicar nestas áreas: “É uma questão de prioridade. Este mês, para não ser impedido, Temer destinou R$ 8 bilhões para o agronegócio”.

Vírgilio Arraes, presidente da Associação dos Docentes da UnB — outra entidade envolvida na criação da campanha Conhecimento sem Cortes e seus tesourômetros —, destacou a iniciativa: “A ideia é materializar como é o impacto cotidiano nas universidades, a fim de envolver a sociedade e a população em geral.”, explicou. O painel do Distrito Federal é o terceiro: já existem outros na UFRJ e na UFMG.

Ildeu Moreira, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, pontuou a importância do desenvolvimento científico para a soberania nacional. “A gente não tem projeto de nação, se não tiver projeto para Ciência e Tecnologia”, disse.

Tamara Naiz, presidente da Associação Nacional de Pós Graduandos ( ANPG), tratou das consequências dos cortes para estudantes bolsistas. “Bolsa é mais que um direito; é uma necessidade num país que ainda convive com tanta desigualdade”, disse.

Novos apoios

O debate de inauguração do tesourômetro de Brasília contou com a presença de novas apoiadoras da campanha: a Academia Brasileira de Ciências e as entidades sindicais Andes e Proifes.

Márcia Barbosa, membro titular da ABC, usou uma história familiar para criticar os cortes orçamentários. “Minha avó era pobre e sustentava os filhos com o trabalho de costureira. Em tempos de dificuldade, ela economizava muita coisa na casa, mas nunca vendeu sua máquina de costura. O Brasil está vendendo suas máquinas de costura.”

Flavio Silva, vice-presidente do Proifes e professor de Goiás, falou dos impactos de cortes também na esfera estadual. “A Fapeg diminuiu em 90% os editais. Projetos aprovados em 2015 ainda não tiveram recursos liberados”.

Epitácio Macário, 3º tesoureiro do Andes, elogiou o tesourômetro. “A ideia é muito bem vinda”. Macário observou, no entanto, que a comunidade científica também precisa abraçar outras campanhas. “Precisamos lutar contra a PEC do fim do mundo e contra as reformas previdenciária e trabalhista.”, finalizou.

Representando a reitoria da UnB, o chefe de gabinete Paulo César pontuou que a mobilização precisa ir além do meio acadêmico. “Precisamos que a sociedade compreenda o atraso que essa política (de contingenciamento) representa”.

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